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	<title> &#187; Dr. Careca Entrevista</title>
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		<title>Dr. Careca Entrevista &#8211; Giltônio Santos, do Mamute</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 18:38:23 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Salve!
A RPGCon está chegando e com ela teremos um lançamento tão bem-vindo quanto surpreendente: o Mamute, fanzine de RPG capitaneado pela galera da Secular Games. Aproveitando a oportunidade, bati um papo via Messenger com nosso amigo Giltônio Santos para saber mais sobre a iniciativa. Como bônus, você ainda confere a capa em primeira mão.

Antes de [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-1175" title="mamute" src="http://www.doutorcareca.com.br/wp-content/uploads/2010/06/mamute1.jpg" alt="" width="79" height="69" />Salve!</p>
<p>A <strong>RPGCon</strong> está chegando e com ela teremos um lançamento tão bem-vindo quanto surpreendente: o <strong>Mamute</strong>, fanzine de <strong>RPG</strong> capitaneado pela galera da <strong>Secular Games</strong>. Aproveitando a oportunidade, bati um papo via Messenger com nosso amigo <strong>Giltônio Santos</strong> para saber mais sobre a iniciativa. Como bônus, você ainda confere a capa em primeira mão.</p>
<p><span id="more-1173"></span></p>
<p><span style="color: #ffcc00;"><strong>Antes de tudo: de onde veio o nome? Mamute é um puta título foda para uma publicação de RPG. Sai do lugar comum.</strong></span></p>
<p>Bem, o nome Mamute tem duas histórias: uma mais interessante e outra mais verdadeira. A mais interessante é que pensamos no bichão como um gigante pisoteando o status quo, bagunçando os lugares por onde passa, provocando impacto e sendo, em geral, bem difícil de não notar.</p>
<p>A história mais verdadeira é que a sonoridade é divertida. Como você disse, sai do lugar comum, e ninguém conseguiu pensar um nome melhor até os 45 do Segundo Tempo! Nesse caso, por que não?</p>
<p><span style="color: #ffcc00;"><strong>Explica aí para quem não sabe: o que é e qual a proposta do fanzine?</strong></span></p>
<p>Bom, a idéia surgiu de uma reunião da Secular alguns meses atrás. A gente sabia que queria publicar livros de RPG, mas também sabíamos que não era só isso. Começamos com a Secular escrevendo livros cheios de regras pra D&amp;D/d20, precisávamo marcar o giro para algo menos convencional e mais autoral. Nesse sentido, pensamos: o que é mais autoral que um fanzine?</p>
<p>O Mamute é uma coleção de idéias, algumas meio insanas, outras muito sérias, mesmo que todas tenham essa cara de sátira. Tentamos mostrar aos leitores que o princípio de &#8220;faça você mesmo&#8221; é real, e que uma publicação sobre RPG pode ser mais do que regras opcionais, aventuras e afins.</p>
<p>O pessoal que faz o Mamute, assim como o leitor, já jogou RPG chapado, gosta de Metal e queria uma coleção de caixas de AD&amp;D!</p>
<p><span style="color: #ffcc00;"><strong>Dá aí um exemplo de matéria que o leitor vai encontrar neste exemplar do Mamute.</strong></span></p>
<p>Logo de cara, o leitor vai encontrar o guia de degustação mais divertido de todos os tempos. Atendendo a um pedido nosso, o Daniel (mestre dos RPGs bizarros e da fabricação de cerveja) escreveu um belo artigo sobre qual tipo de cerveja é ideal para cada jogo de RPG. Todo mundo já ouviu falar em harmonizar comidas e bebidas, mas harmonizar bebidas e jogos tenho certeza que é novidade!</p>
<p>Agora, confesso que escolher apenas uma é difícil, então aconselho os leitores a também ficarem de olho no tutorial do Antônio &#8220;Pop&#8221; sobre como fazer caixas no estilo clássico da TSR, e na matéria do Remo sobre fantasia com temática brasileira.</p>
<p>A primeira representa bem o espírito &#8220;faça você mesmo&#8221; que queremos passar, e a segunda vai deixar muita gente que torceu o nariz para O Desafio dos Bandeirantes no mínimo curiosa.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.doutorcareca.com.br/wp-content/uploads/2010/06/capa-mamute-web.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1180" title="capa-mamute-web" src="http://www.doutorcareca.com.br/wp-content/uploads/2010/06/capa-mamute-web.jpg" alt="" width="443" height="625" /></a></p>
<p><span style="color: #ffcc00;"><strong>Mamute é só uma edição especial ou a ideia é manter a publicação rolando? Qual a periodicidade?</strong></span></p>
<p>Olha, essa é uma pergunta difícil. Agora que conseguimos tirar o primeiro do papel, acredito que a chance de ter novas edições aumenta muito. Era importante pra gente lançar a primeira edição na RPGCon, e isso já está certo. De resto, não assumimos um compromisso com periodicidade, mas queremos mais. Ou seja, vão haver novas edições? Sim.</p>
<p>Quando sai o próximo? Quando sentirmos que o momento é certo, o conteúdo reunido é bom e os outros fatores das nossas vidas não estiverem interferindo demais com a nossa sina de produzir RPG!</p>
<p><span style="color: #ffcc00;"><strong>Como foi a escolha da equipe? E a experiência de editar seu próprio material?</strong></span></p>
<p>A equipe base do Mamute (Eu, Garrell, Tiago e Rocha) já trabalha em conjunto faz um bom tempo, e todos deram sua contribuição para o fanzine, mas sabíamos desde o princípio que queríamos convidar várias outras pessoas para escreverem conosco.</p>
<p>Assim, fomos redigindo uma pauta, incluindo pessoas que queríamos que escrevessem e temas que gostaríamos que fossem abordados. Quando tínhamos a pessoa, entrávamos em contato perguntando sobre o que ela queria escrever. Quando tínhamos o tema, pensávamos sobre quem escreveria algo bacana a respeito.</p>
<p>Aliás, uma das coisas que mais me faz crer que teremos pelo menos mais uma ou duas edições é que ainda temos muitas balas na agulha. Se você é um membro ativo da comunidade de RPG nacional, dando opiniões polêmicas, interessantes, ou simplesmente dizendo o que pensa do jogo, é bem provável que a gente esteja te observando!</p>
<p><span style="color: #ffcc00;"><strong>O lançamento de uma publicação independente, feita por jogadores e para jogadores, com dinheiro do próprio bolso, é um sintoma de que o RPG brasileiro não anda tão mal quanto gostam de dizer por aí? É esse o caminho para novos autores?</strong></span></p>
<p>Talvez eu seja um pouco suspeito pra falar, pois nunca acreditei muito nesse papo de crise. Acho que talvez as pessoas tenham se acomodado nessa conversa fiada, e só agora começam a se mexer de novo para fazer algo acontecer. Infelizmente, duas ou três editoras com potencial investiram em títulos com cara de anos 80 e foram mal.</p>
<p>Fazer o que? O autor não sabe muita coisa de pescaria, mas vende bem o peixe, e sempre pode culpar a crise pelo eterno fracasso. Isso atrapalhou? Não sei, pois não tenho números, mas pode ser que alguém interessado em publicar tenha desanimado nessa hora.</p>
<p>Num momento assim, a publicação independente aparece como uma alternativa muito boa. Eu sei onde estou colocando o dinheiro, pois conheço os limites do trabalho dessas pessoas, algumas das quais começaram a escrever RPG junto comigo. O Mamute não foi feito com o nosso salário, foi feito com dinheiro da Secular!</p>
<p>Não é bonito como uma revista saindo de uma editora profissional, mas tem exatamente a cara que nós queríamos que tivesse.</p>
<p>Para aqueles que querem começar a publicar, acredito que o Mamute (assim como o Busca Final, RPG que eu escrevi e que a Secular também vai publicar) é um exemplo vigoroso e, ouso dizer, nos emancipa da idéia de que o autor de RPG é Deus e seus leitores são Moisés recebendo os dez mandamentos.</p>
<p>O que nos permitiu montar a Secular e agora publicar o Mamute foi a determinação em fazer acontecer, e não contatos privilegiados na DB, Devir ou Jambô. A experiência ajuda? Com certeza, mas você pode criar o seu próprio conhecimento também. Quando decidimos publicar PDFs em inglês, não dava pra ligar para o Cassaro ou para o D3 e pedir o caminho das pedras.</p>
<p>Nós queremos que as pessoas entendam que o mercado de RPG mal pode ser chamado realmente de um mercado, e que fazer as coisas na base da raça vai ser a regra.</p>
<p><span style="color: #ffcc00;"><strong>Valeu pela entrevista e boa sorte pra todo mundo aí. Pode guardar meu exemplar!</strong></span></p>
<p>Nós é que temos que agradecer a oportunidade de falar sobre o fanzine para os leitores do blog. Esperamos encontrar todo mundo na RPGCon, para rirmos juntos numa partida de Tópicos &amp; Trolls. Longa vida ao RPG Independente!</p>


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		<title>RPGCON 2010: Entrevista com Janaina Azevedo Corral</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 16:47:39 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Hoh!
Encerrando a série de entrevistas com os organizadores da RPGCON, conversei com a Janaina, coordenadora do CÉOS e integrante do trio que nos trouxe o evento. 

Antes de tudo, quem é Janaína Azevedo  Corral e o que é o Céos? Do pessoal que coordena a RPGCON, talvez você seja a que o público tem menos [...]


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<p>Encerrando a série de entrevistas com os organizadores da <strong>RPGCON, </strong><span style="font-weight: bold;">conversei com a <strong>Janaina</strong>, coordenadora do <strong>CÉOS </strong>e integrante do trio que nos trouxe o evento. </span></p>
<p><span style="font-weight: bold;"><span id="more-972"></span></span></p>
<p><strong>Antes de tudo, quem é Janaína Azevedo  Corral e o que é o Céos? Do pessoal que coordena a RPGCON, talvez você seja a que o público tem menos familiaridade. Se apresenta aí pra galera!</strong></p>
<p>Bom, a Janaina Azevedo Corral (Azevedo por parte de mãe e pai, Corral por parte do maridão argentino) é escritora, educadora e produtora cultural &#8211; e alguns dizem que eu sou um tipo de alquimista pós-moderna, por causa dos temas dos meus livros. No que se refere ao RPG, jogo quase há tanto tempo quanto escrevo &#8211; comecei com 11 anos de idade. Minha primeira publicação foi um conto que venceu o concurso de redação da escola onde eu estudava, mais ou menos na mesma época em que comecei a jogar RPG. Não vou negar que sempre fui mais chegada num bom terror do que em qualquer tipo de fantasia medieval, embora os vampirinhos que brilham na luz atualmente me dêem calafrios (e não é de medo). Hoje, tenho 27 anos, isto é, 16 anos jogando RPG, pelo menos 10, só mestrando, especialmente por que fui me dedicando a usar o RPG como ferramenta para as mais variadas atividades &#8211; no último colégio que estudei, a prova final de literatura (que eu lecionava) e história teve dois pontos atribuídos a um live-action que recriou o século XIX por algumas horas. Com coisas como essas é que surgiu a idéia de montar o <a href="www.grupoceos.com.br" target="_blank">Grupo CÉOS</a>: um conjunto de iniciativas, pequenas empresas e grupos de produção cultural que trabalham num mesmo sentido: Educação, Arte, Cultura e Diversão. Dele fazem parte o <a href="www.becoimaginario.com" target="_blank">Beco Imaginário</a> (uma pequena produtora), a <a href="www.madamesaria.com" target="_blank">Madamesaria</a> (um buffet Temático), a minha parte na RPGCON, <a href="www.casadejanaina.com" target="_blank">A Casa de Janaina</a> (meu website pessoal), a <a href="www.horaciocorral.com" target="_blank">HC Design</a> (a empresa de design gráfico do meu marido Horacio Corral) e outros projetos menores que estão em fase de implementação.</p>
<p><strong>Qual exatamente é o seu papel dentro da organização da RPGCON?</strong></p>
<p>Bom, as atividades deste ano na RPGCON estão bastante estritas e, para um melhor rendimento, vamos realizá-las de maneira bastante incisiva. Basicamente, eu formalizo/escrevo os projetos relacionados ao evento (para apresentar aos locais interessados, projetos para secretarias de educação e turismo, para associações, fã-clubes, etc) &#8211; acho que esse é inclusive, um dos motivos pelos quais a galera me conhece pouco, já que eu gosto mesmo de fazer trabalho de formiguinha, não gosto muito de aparecer. Tanto que embora eu escreva os projetos e eles contenham uma boa argumentação escrita, tenho duas pessoas com 10 bolinhas em lábia para apresentá-los: Douglas e Wallace, eles são &#8220;os caras&#8221; pra isso. Mas fora os projetos, que estão me tirando o sono nestas últimas semanas, sou responsável pela programação de palco(s), atrações, associações e fã-clubes, concursos diversos (literatura, ilustração, etc), cultura e educação. Esse ano, porém, começo a mexer também com caravanas. O Wallace fez um ótimo trabalho com isso ano passado, espero não decepcionar, mas trocamos (embora ele vá me dar todo suporte) por que precisamos de um contato fixo aqui em São Paulo para acertar os mais diversos detalhes com caravanistas &#8211; já que desta vez o anúncio do evento veio bem mais cedo, é bem provável que tenhamos mais caravanas que no ano passado. Por isso criamos a CAVC &#8211; Central de Apoio ao Visitante e ao Caravanista, cujo sistema estou desenvolvendo com os sábios pitacos do tio carioca.</p>
<p><strong>Todos concordamos que o evento ano passado foi um sucesso. A que se deve isso?</strong></p>
<p>Transpiração. E haja Rexona! Falando sério&#8230; Apesar de sermos uma junção um tanto peculiar e três &#8220;cabeças&#8221; com personalidades muito fortes &#8211; quem visse uma conversa nossa achava que ia sair tiro nos próximos 5 segundos, embora estivéssemos geralmente apenas conversando &#8211; havia uma sinergia boa. Mas isso é só 50% da culpa &#8211; nossa organização, bons participantes, gente com boa vontade, etc.  Os outros 50% vieram de um público bacana, que ajudou a divulgar, compareceu, lotou o lugar, ajudou a corrigir as primeiras falhas e se manteve de mente aberta para a iniciativa.</p>
<p>Pra quem veio o ano passado e virá esse ano, qual deve ser a diferença mais notável?</p>
<p>Cara, vou ser sincera: não sei. Por que esse ano estamos com mais tempo, com ainda mais garra e com mais vontade. Sei que muita coisa vai ser diferente, e, ao menos na minha área, pretendo mudar alguns processos para exigir melhor qualidade. Sei que meus dois sócios também reservam novidades, então, é complicado falar de diferenças notáveis. Não vai ser um evento completamente diferente. Mas sei que vai ser inovador.</p>
<p>Qual foi a falha crítica e o acerto decisivo da RPGCON 2009?</p>
<p>Para as duas perguntas, uma resposta: o pouco tempo. Por termos tão pouco tempo &#8211; e termos sido malucos o suficiente de fazer um evento daquele porte em 45 dias, praticamente &#8211; muita coisa deu errada, muitas atrações não saíram, e algumas coisas tiveram falhas críticas. Por outro lado, a falta de tempo foi o que mais nos motivou, que fez acontecer, pois provamos que podia sair algo diferente do modelão e sair uma coisa bacana.</p>
<p>Qual o principal diferencial da RPGCON em comparação com o EIRPG?</p>
<p>Não acho que haja um diferencial apenas. A RPGCON tem uma variedade de atividades enorme em relação ao EIRPG, por isso que não acontece de você ficar sentado num canto mofando, caso você não esteja assistindo o último episódio de Jaspion, participando de algum campeonato ou jogando numa mesa. Nós abrimos um grande leque e importamos coisas das mais diversas áreas, vide o Simpósio de Game Design que foi um grande sucesso e uma iniciativa reconhecida na área.</p>
<p>Por falar nisso, há a chance de rolar mais atividades desse tipo dentro do evento? Englobando, digamos, essa parte teórica do hobby ou algum assunto paralelo?</p>
<p>Bom, essa resposta vai responder outras que já têm vindo para as minhas mãos: se não partir de nós a iniciativa, estamos dispostos a receber de braços abertos projetos que visem complementar o nosso escopo, desde que as pessoas estejam afim de trabalhar conosco. Acho que graças a todos os 250 deuses da minha religião tivemos uma coisa maravilhosa ano passado: não tivemos estrelismos e, na maioria das vezes, pudemos conversar abertamente com os organizadores de atividades, quando víamos que a qualidade não estava no patamar daquilo que almejávamos. Espero que este ano isso também aconteça. De resto, posso dizer apenas que as atividades devem ser muito bem pensadas e encaminhadas para mim a partir de 1 de março, pelo meu e-mail do evento: <a href="mailto:janaina@rpgcon.com.br">janaina@rpgcon.com.br</a> (exceto campeonatos de jogos e propostas exclusivamente de live-action, que são encaminhadas ao D3).</p>
<p>Qual foi o momento mais marcante da RPGCON 2009 pra vc?</p>
<p>Bom, acho que foi um momento no melhor estilo Looney Tunes que eu tive: no domingo, tropecei em alguma coisa (pode ter sido meu pé ¬¬) e rolei a escada que levava à quadra em que estavam as barracas de alimentação &#8211; sim, a escada inteirinha. Cheguei no final e levantei, como se nada tivesse acontecido. Precisava acertar um negócio que eu nem lembro o que era, mas sei que era urgente. Eis que, duas horas e meia depois, meu marido olha pro meu braço e comenta: &#8220;Nossa, você está com o braço com uma cor meio estranha&#8221;</p>
<p>&#8220;Ah, não deve ser nada&#8230;&#8221;</p>
<p>Quando o evento terminou, e todos já tinham saído, fui até a enfermaria e coloquei gelo. DO NADA veio uma dor mais do que cortante e eu gritei. Fui pro hospital um pouco depois. Eu tinha quebrado o braço em 2 lugares e literalmente só senti quando o evento acabou. Adrenalina ROX.</p>
<p>Valeu Jan! Obrigado pela entrevista e a gente se vê lá!</p>
<p>Ah, pensei que ia rolar o questionário final do James Lipton, do Inside The Actors Studio. Enfim, foi ótimo participar desta entrevista e espero que todos nos vejamos na RPGCON 2010. Abraços a todos!</p>
<p>Cheers!</p>
<p>T.</p>


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		<title>RPGCON 2010: Entrevista com Wallace Garradini</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 12:55:21 +0000</pubDate>
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Todo mundo feliz com o anúncio da RPGCON 2010? Pois é, eu também. E para celebrar, temos mais uma entrevista com um dos cabeças do evento. Desta vez falamos com Wallace Garradini, figurinha presente nos bastidores do RPG nacional e organizador da Caravana Surreal ano passado. Leia e saiba mais sobre as impressões de 2009 [...]


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<p>Todo mundo feliz com o anúncio da <strong>RPGCON 2010? </strong>Pois é, eu também. E para celebrar, temos mais uma entrevista com um dos cabeças do evento. Desta vez falamos com <strong>Wallace Garradini</strong>, figurinha presente nos bastidores do<strong> RPG </strong>nacional e organizador da <strong>Caravana Surreal</strong> ano passado. Leia e saiba mais sobre as impressões de 2009 e os planos para 2010.</p>
<p><span id="more-966"></span></p>
<p><strong>Em primeiro lugar, qual o seu papel dentro do evento? Há alguma divisão de tarefas?</strong></p>
<p>Ano passado, dentro do evento, eu cuidei do &#8220;Pavilhão Vermelho&#8221;, que era o local onde os estandes das editoras, o pessoal do Cosplay, o Leilão e a Feira do RPG Independente ficavam. Ao contrário do D3 e da Janaína, eu sou mais um entusiasta do que alguém que trabalha dentro desse mercado de RPG, Quadrinhos e Fantasia. O D3 tem a loja, o blog e todo esse trabalho com o hobby, a Janaína é uma escritora de relativo sucesso no meio literário, eu fico mais pro cara que quer ver tudo isso sendo realizado e fico feliz em estar fazendo a minha parte. Esse ano devo cuidar com mais carinho de dois pontos que foram criticados ano passado: o site do evento e o sistema de inscrição de mesas. Além disso, estou pensando em algumas ações que possamos tomar na internet para agitar o pessoal.</p>
<p><strong>Foi difícil organizar um evento com tão pouco tempo? A folga maior na produção do evento desse ano deve fazer diferença?</strong></p>
<p>Cara, foi realmente dificil. Foram pouquíssimos dias pra organizar e tudo ficou muito corrido. Atrações, local, montagem, segurança, negociação com as editoras e outras empresas presentes, etc. Esse ano, com esse tempo de antecedência, a gente pode planejar tudo melhor. Desde corrigir os principais pontos criticados até elaborar mais atividades.</p>
<p><strong>O D3 disse que não é a intenção da RPGCON substituir o EIRPG. Eu já acho que beira o inevitável. Qual a sua opinião sobre isso?</strong></p>
<p>Eu realmente gostaria que existisse em SP a RPGCON em um semestre e o EIRPG em outro. Lembrando que a RPGCON nasceu com a verdadeira intenção de não deixar o cenário arrefecer, sem um evento anual. Em espantar esse pânico de crise, que atacou parte do pessoal.</p>
<p><strong>Antes do EIRPG ser cancelado pela Devir, muita gente já criticava o evento. As críticas que ouvi sobre a RPGCON foram mínimas. O que foi feito de diferente?</strong></p>
<p>Sendo muito sincero, a grande diferença foi a relação da gente com o público. O pessoal chegou ao evento com muita boa vontade, existia um tipo de cumplicidade do público com a gente, algo que se perdeu em algum momento no EIRPG. Isso diminuiu bastante as críticas, admito. Mas a verdade é que tentamos fazer muita coisa diferente do que estavamos acostumados a ver, e essa vontade de mudar, de fazer diferente, foi sentida por todo mundo.</p>
<p><strong>Você já tem alguma novidade, algo que queira fazer para a RPGCON 2010?</strong></p>
<p>Olha, parece besteira, mas eu estou pensando em um monte de coisas. Só que como o evento acabou de ser confirmado, ainda não tenho como confirmar nada. Uma certeza é que a Feira do RPG Independente vai voltar, e com mais tempo pra se organizar, acho que teremos mais do que apenas os poucos heróis da edição passada. Estou pensando também em brindes exclusivos no evento, produzidos por grandes expoentes do cenário nacional, quem sabe?</p>
<p><strong>Comentou-se a hipótese de uma RPGCON Rio. Faz até sentido, já que você é carioca e faltam eventos de RPG significativos na cidade. Existe esse projeto ainda?</strong></p>
<p>Olha, ainda está de pé. E o pessoal do Rio anda todo de sassarico com relação a uma edição da RPGCON de chinelos e bermudas. O que acontece é que existem algumas dificuldades comparando a um evento realizado em São Paulo. O primeiro, em minha opinião, é que não existem autores e editoras fortes o suficientes para atrair os jogadores. Um outro é conseguir um lugar bom e dentro do orçamento para ter um evento de qualidade. Mas a gente não desistiu de um evento ainda esse ano aqui na cidade maravilhosa.</p>
<p><strong>Qual foi o momento mais marcante da RPGCON 2009 pra vc?</strong></p>
<p>A Mesa de Vidro, no fim do evento. Ver que o pessoal ali estava realmente satisfeito e ver algo que eu sonhava há muito tempo transformar em realidade: ver organizadores mais humildes, escutando e atendendo o seu público de igual pra igual. Espero mesmo que esse ano o espirito continue o mesmo: O público muito perto da gente, o pessoal das editoras em parceria, todo mundo fazendo esse evento acontecer.</p>
<p><strong>Valeu Wallace! Nos vemos no evento!</strong></p>
<p>Ah, nos vemos mesmo. Pode se preparar pra ir ajudar na véspera, outra vez.</p>
<p><strong>Tá certo. E você pode se preparar para tomar outro sacode no FIFA na véspera!;)</strong></p>
<p>Cheers!</p>
<p>T.</p>


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		<title>RPGCON 2010: Entrevista com D3</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Feb 2010 18:15:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jmtrevisan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dr. Careca Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[RPG]]></category>
		<category><![CDATA[RPGCON]]></category>

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		<description><![CDATA[Hola!
Saiu a notícia que todo jogador de RPG brasileiro queria ouvir: está confirmada a RPGCON 2010. Como foi divulgado pela organização, o evento será realizado na cidade de São Paulo, nos dias 03 e 04 de julho e em local a definir (os candidatos são o Colégio Notre Dame, no Sumaré &#8211; mesmo do ano [...]


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<p>Saiu a notícia que todo jogador de RPG brasileiro queria ouvir: está confirmada a <strong>RPGCON 2010</strong>. Como foi divulgado pela organização, o evento será realizado na cidade de <strong>São Paul</strong><strong>o</strong>, nos dias <strong>03 e 04 de julho</strong> e em local a definir (os candidatos são o <a href="http://tinyurl.com/y9vjy3h" target="_blank">Colégio Notre Dame</a>, no Sumaré &#8211; mesmo do ano passado &#8211; e o <a href="http://tinyurl.com/y9qaqx9" target="_blank">Colégio Santa Amália</a>, na Saúde). A organização fica por conta da <strong>Equipe d3system</strong>, da <strong>Caravana Surreal</strong> e do <strong>Grupo Céos.</strong></p>
<p>Aproveitando a ocasião festiva, entrevistei <strong>Douglas 3</strong>, um dos cabeças da iniciativa. Você confere o resultado da conversa logo abaixo.</p>
<p><span id="more-959"></span></p>
<p><strong>Bom saber que a RPGCON está de volta. Dá pra concluir que o primeiro evento foi um sucesso? Qual o saldo que você tira da primeira experiência?</strong></p>
<p>Também ficamos felizes em continuar com o evento. Considerando o prazo que tivemos para realizar a primeira edição, a RPGCON 2009 foi um surpresa agradável. É óbvio que tivemos alguns contratempos (como a sinalização), mas a resposta do público foi excelente. Esse ano teremos mais tempo para organizar tudo.</p>
<p><strong>Que tipo de novidades vocês esperam trazer tendo esse tempo extra? Convidados, talvez?</strong></p>
<p>Esperamos aumentar a presença das associações, dessa vez abrangendo os fãs de miniaturas, jogos de tabuleiro e MMOs. Também teremos apresentações artísticas (dança, música e teatro) relacionadas aos temas de fantasia. Posso garantir que teremos convidados nacionais, mas ainda não confirmamos nenhum internacional.</p>
<p><strong>Qual é o papel de um evento desse porte dentro do mercado de RPG? É difícil substituir um evento tradicional como era o Encontro Internacional?</strong></p>
<p>Eu acredito que a RPGCON seja um novo modelo para os eventos desse nicho. Nossa função é servir de ponto de encontro para os jogadores, mas também de vitrine irrestrita para o mercado. Permitir a exposição, divulgação e comércio dos produtores do nicho é o principal diferencial da RPGCON comparando com o Internacional. Ainda assim, o EIRPG é uma festa tradicional e não será substituído. Nós estamos oferecendo uma alternativa, mas não acho que tomaremos o lugar que foi ocupado por 16 anos pelo evento da Devir.</p>
<p><strong>Seria uma alternativa se ainda houvesse EIRPG. Como não há, a impressão que me dá é que a RPGCON herda esse posto. É uma impressão errada? Por quê?</strong></p>
<p>O EIRPG como marca é muito forte entre o público alvo. Não sabemos quando (ou se) ele vai retornar, mas quando (ou se) acontecer, é possível que o público se divida, em especial os jogadores que não moram em SP. A RPGCON assimila o espaço deixado pelo Internacional, mas simplesmente porque não tem concorrência. Desse ponto a substituir definitivamente o evento original, há um grande caminho.</p>
<p><strong>Muitos RPGistas reclamam da presença de eventos de grande porte só em São Paulo. Por que você acha que isso acontece? Há a possibilidade de se levar a RPGCON para outros estados?</strong></p>
<p>O forte do público está no eixo SP-Rio e no Sul do país. No Norte e Nordeste, existem eventos acontecendo periodicamente, mas não são chamativos o bastante para justificar a presença dos jogadores do Sul-Sudeste. Não sei dizer o motivo. Por outro lado, a estrutura para realização de grandes eventos em SP é ampla e a tradição dos eventos culturais ajuda bastante. Por isso mais eventos em SP: acesso e tradição. Acredito que seja possível realizar eventos de médio porte em outros estados, mas não encontrei a fórmula para conseguir essa proeza ainda. Os candidatos mais prováveis seriam Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegra, Curitiba, João Pessoa e Natal.</p>
<p><strong>Talvez juntando a experiência de vocês, a marca da RPGCon e o apoio de associações locais. Seria esse o caminho?</strong></p>
<p>O apoio das associações e dos grupos locais é inestimável para essa tarefa. Existem cidades que incluíram encontros de clubes de jogos e interpretação no calendário municipal. Nós temos a intenção e a experiência para realizar esses eventos, mas não conseguimos alcançar os fornecedores da estrutura (local, montagem, transporte) sem auxílio. Esse seria o caminho, com certeza.</p>
<p><strong>Qual foi a falha crítica e o acerto decisivo da RPGCON 2009?</strong></p>
<p>A principal falha foi a credibilidade inicial da marca, que não conseguiu indicar ao público que o evento teria um porte similar ao EIRPG. Muitas pessoas não ficaram sabendo do evento ou não acreditaram que ele realmente aconteceria. O maior acerto foi a abertura do evento para as associações, editores, produtoras de jogos e autores independentes, que puderam integrar a RPGCON com atrações, mostrar seus trabalhos e opiniões e discutir o mercado ao lado do público. Esse modelo era o que faltava para aproximar os diversos segmentos do nicho num mesmo local.</p>
<p><strong>No tempo do EIRPG as pessoas reclamavam da falta de atrações. Por outro lado, na RPGCon, o que mais se ouvia eram elogios porque sempre havia algo interessante acontecido. Foi uma preocupação consciente?</strong></p>
<p>Sim. Nosso principal objetivo era elaborar um evento que mantivesse o público ocupado, que justificasse o valor da entrada. Às vezes, acho que até exageramos, porque eram muitas atividades. É óbvio que uma grande parte dessas atrações foi desenvolvida pelas associações e parceiros, que não tinham essa abertura no EIRPG. Se tudo der certo, pretendemos ampliar essa política em 2010.</p>
<p><strong>Para um evento organizado quase às pressas e com pouca divulgação, o público da RPGCON 2009 me pareceu mais do que razoável. Isso representa de alguma forma a saúde do mercado brasileiro de RPG?</strong></p>
<p>A primeira edição teve um público total de 2800 pessoas (1500 no sábado e 1300 no domingo). Eu acredito que essa resposta indica duas coisas: primeiro, que a ausência de um evento nacional afetaria negativamente a sobrevivência do hobby e segundo, que o mercado continua existindo e tem uma certa estabilidade, nós é que não sabemos exatamente qual é o tamanho dele. Os jogadores existem. Basta trabalhar para alcançá-los.</p>
<p><strong>Para mim &#8211; e acho que para meus parceiros, Rogério Saladino e Marcelo Cassaro, também &#8211; o momento mais marcante da RPGCON foi ver o auditório lotado durante a palestra sobre os 10 anos de Tormenta. Qual o seu?</strong></p>
<p>Foram dois: primeiro, às 08:15 da manhã do sábado, com tudo pronto, eu fui até a bilheteria para autorizar a abertura do evento. Quando cheguei na rua, não havia quase ninguém: confesso que me assustei naqueles minutos. O segundo foi no domingo às 17:30, durante a Mesa de Vidro (palestra para discutir os erros e acertos do evento), quando percebi que a RPGCON tinha funcionado e o público tinha aceitado a idéia. Foi quando peguei o microfone, agradeci aos presentes e disse &#8220;Saiu essa porra!&#8221;</p>
<p><strong>Valeu pela entrevista, parabéns a todo mundo da organização pelo ano passado e boa sorte em julho!</strong></p>
<p>Eu que agradeço a divulgação e a presença. Esperamos vocês lá e vamos arrebentar esse ano!</p>


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		<title>Dr. Careca Entrevista – Silvio Compagnoni Martins (Parte 2)</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Apr 2009 16:13:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jmtrevisan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dr. Careca Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[RPG]]></category>

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		<description><![CDATA[ Yo!
Acordei hoje pela manhã e pensei: “por que diabos esperar até sábado, já que a entrevista com o Silvio tem sido tão bem recebida?”. Sendo assim, danem-se as regras: aqui vai a segunda e última parte da minha conversa com o último editor da lendária revista Dragão Brasil.

Trevisan - Como foi a recepção do [...]


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<p>Acordei hoje pela manhã e pensei: “por que diabos esperar até sábado, já que a entrevista com o <strong>Silvio</strong> tem sido tão bem recebida?”. Sendo assim, danem-se as regras: aqui vai a segunda e última parte da minha conversa com o último editor da lendária revista<strong> Dragão Brasil</strong>.</p>
<p><span id="more-520"></span></p>
<p><strong>Trevisan -</strong> Como foi a recepção do público quando você assumiu a revista?<br />
<strong><br />
Silvio &#8211; </strong>Foi boa. Recebi votos de sucesso e minha comunicação com eles sempre foi boa. Pelo menos é o que senti. Me esforcei ao maximo para pautar esta comunicacao de forma clara e aberta seja no Orkut, MSN fone,mail, etc.</p>
<p><strong>Trevisan -</strong> Alguns grupos do Orkut costumam ser bem hostis a qualquer tipo de iniciativa nacional, independentemente de quem seja o autor. Você chegou a sentir isso na pele?</p>
<p><strong>Silvio -</strong> Engraçado que senti uma certa rejeição quando quis trazer coisas diferentes. Como o Cthulhu ou a Forja(sessão da revista sobre os bastidores do game design). Rejeição à alguma iniciativa nacional eu pouco senti na verdade. Acho que não cheguei a me manter à frente da revista o suficiente para chegara este ponto. Tinha ideia de montar algo com a revista, algo nacional. Mas o projeto nao foi adiante</p>
<p><strong>Trevisan -</strong> E o que era esse projeto? Um novo cenário?</p>
<p><strong>Silvio -</strong> Na verdade era uma vontade de organizar pequenos contos que formariam um cenário aberto, para se usar em qualquer sistema sem estar preso a regras ou convenções. Eu iria escrever e organizar os escritores e colaboradores para escreverem sobre um tema. Organizaria e tentaria fazer disso um cenario genérico, um suporte para mestres iniciantes. Outro projeto, este mais pessoal, seria escrever e desenvolver um cenario próprio. Mas optei por segurar esta idéia e reformulá-la para poder trabalhar nela com calma e fora da revista.</p>
<p><strong>Trevisan -</strong> Há espaço para novos cenário, sistemas e autores no mercado brasileiro?</p>
<p><strong>Silvio -</strong> Sempre! Só acho que sistema é uma coisa mais dificil, delicada. É muito melhor, mais rico, trabalhar em cenários. Tem tanto sistema por ai. Não vejo tanta necessidade de sistemas novos. Mas cenários, poxa temos o privilegio de ter tantas boas referências. Tanta gente com boas idéias. Por que não valorizar mais isso?</p>
<p><strong>Trevisan -</strong> Você disse que a rejeição rola justamente quando se tenta fazer algo desse tipo. Por que ela acontece e o que se deve fazer pra evitar que isso ocorra? Existe uma receita?</p>
<p><strong>Silvio -</strong> Graças a Deus, não existe receita, E é essa falta de uma fórmula que faz as coisas acontecerem, o sistema X ou cenário Y bombarem. Acho que o autor precisaapenas ser sincero no seu trabalho. Esso é o maior passo. O grande passo. O resto vem na onda.</p>
<p><strong>Trevisan &#8211; </strong>O que você acha do movimento dos blogs, da produção de material de RPG descentralizada e ao mesmo tempo organizada em um esquema de cooperação entre os sites?</p>
<p><strong>Silvio -</strong> Blog bom é aquele que serve para emitir opiniões. Fazer pensar, dicutir, refletir. Acho legal a produção descentralizada .É o máximo a fsacilidade que se tem para produzir na internet. Vim duma era de fanzine feito em mimeógrafo e xerox. Cara, era foda! Hoje com pdf,  programas de edição etc, ficou fantástico. Torço pra que isso se prolifere como praga. É como disse antes, a internet está ai para isso, para dar este suporte e tudo mais.  Para que a mesa de jogo se torne mais rica, mais divertida.</p>
<p><strong>Trevisan -</strong> Falta uma exploração comercial efetiva desse espaço? É uma ferramenta pouco usada pelas editoras?</p>
<p><strong>Silvio -</strong> As editoras estao começando a usar este espaço, Os profissionais do meio também estão aprendendo a usar. Tem um caminho ai a ser percorrido, com certeza. Mas ainda falta um suporte melhor para isso. Falta, por exemplo, gente que aposte e acredite em blogs e suporte a estrutura. Patrocinadores, sei lá…</p>
<p><strong>Trevisan -</strong> Essa independência do leitor, a facilidade que o jogador tem de baixar material da Internet e divulgar suas próprias criações ajudou a acabar com a Dragão?</p>
<p><strong>Silvio -</strong> De forma alguma. Não.</p>
<p><strong>Trevisan -</strong> Isso é que resposta direta (risos).</p>
<p><strong>Silvio -</strong> Mas é a real. Pelo menos UMA resposta curta (risos)</p>
<p><strong>Trevisan -</strong> Mas faz sentido. Tanto que a DS continua por ai.</p>
<p><strong>Silvio -</strong> Exato. Acho a pirataria uma coisa errada. Enfraquece sim as editoras e atrapalha a produção nacional. Seja de material próprio ou estrangeiro. A net corre por fora e tem seus méritos ao trazer notíciaa. A revista é um outro meio e também tem seu mérito. Por isso acho que nao é muito justo dizer que um atrapalha o outro.</p>
<p><strong>Trevisan -</strong> Não digo nem a pirataria. Me refiro mais à criação e divulgação de material próprio.</p>
<p><strong>Silvio &#8211; </strong>Ah, sim. Mas acho que isso nada tem a ver com a revista ir bem ou mal. São midias diferentes. Uma complementa a outra.</p>
<p><strong>Trevisan -</strong> E por que ainda assim tivemos tão poucas revista que emplacaram no Brasil?</p>
<p><strong>Silvio -</strong> Porque alvez seguissem um unico molde. Temos espaço para mais revistas? Acredito que sim. Digitais ou impressas. Temos público, temos profissionais capazes. Mas precisamos vislumbrar novas fórmulas, sair da receita de bolo. Talvez assim aparecam outras. Se ficarmos só nos moldes definidos pela DB, vai ser difícil emplacar. DB teve seu estilo, criado pelo Cassaro e o resto do Trio e esse formato evoluiu para o que hoje é a DS. Não creio que teriamos espaço para outra do mesmo tipo. Sendo assim,por que não inovar e montar algo diferente? ou focar em outro segmento? Existe espaço.</p>
<p><strong>Trevisan -</strong> Mas o erro não foi justamente se afastar demais dos moldes da revista, de maneira muito brusca? Você tentou um processo gradual, se me lembro direito, mas a equipe anterior rompeu completamente…</p>
<p><strong>Silvio -</strong> Pode ser que sim. Mas mesmo um processo gradual nao mostrou efeito, talvez por estarmos atrelados ainda ao nome da Dragão Brasil. Este foi o maior erro de todos, porque isso dificulta  a mudança pois o público vai sempre associar o que vc faz ao nome. Se você muda tudo na Dragão Brasil, você tem uma revista diferente do que o público estava acostumado. Se você muda tudo, mas chama a revista de Red Dwarf, você tem só uma revista diferente. Entende a nuance?</p>
<p><strong>Trevisan -</strong> Então ao invés de ajudar, o peso da marca atrapalhou?</p>
<p><strong>Silvio -</strong> Em certo sentido, sim. A DB é uma marca forte. Cresceu, ganhou corpo e força com o tempo. Hoje está dormente e acho que só valeria a pena trazê-la de volta pelas mãos do editor original. Mas ele foi esperto e deu um passo a frente com a criação da DS. Hoje acho que a DB deve ficar no passado, como uma revista importante que teve seu momento.</p>
<p><strong>Trevisan -</strong> E você? Pretende voltar a atuar na área ou já decidiu fazer coisa melhor da vida?</p>
<p><strong>Silvio -</strong> Atualmente tenho um trabalho que está um pouco fora do meio e me toma muito tempo. Paga bem e é interessante, mas nunca me senti desligado do RPG e nem de seu nicho. Pretendo retornar sim. Esta entrevista marca de certa forma um retorno, mas quero fazer as coisas que me agradam. Quero poder ajudar o hobby e as pessoas que gostam dele, mas de uma forma diferente, independente e descontraída. Até porque, descobri que só vale a pena mesmo nestes termos. Se você se diverte com o que faz. Ainda penso muito em desenvolver um cenário e contar historias. Acho que é isso. Quero voltar a contar historias…</p>
<p><strong>Trevisan -</strong> Valeu Silvio! Obrigado pela entrevista e boa sorte nos teus projetos.</p>
<p><strong>Silvio -</strong> Eu é que agradeço a oportunidade! Abraços!<strong><br />
</strong></p>
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<p>Lembrando que você pode acompanhar o trabalho do <strong>Silvio </strong>no seu blog, o <a href="http://www.roleplay.com.br/">Diário de um Roleplayer</a>.</p>
<p>Cheers!</p>
<p>T.</p>


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		<title>Dr. Careca Entrevista – Silvio Compagnoni Martins (Parte 1)</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Apr 2009 17:19:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jmtrevisan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dr. Careca Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[RPG]]></category>

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		<description><![CDATA[ Hey!
A Dragão Brasil foi, sem dúvida, a maior revista de RPG brasileira. Entender a história da publicação é entender um pouco a história da própria trajetória do hobby no Brasil. Três equipes editoriais passaram pela direção da revista em 123 edições e 14 anos: foram 111 edições pelas mãos do Trio Tormenta, 9 sob [...]


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<p>A <strong>Dragão Brasil</strong> foi, sem dúvida, a maior revista de <strong>RPG</strong> brasileira. Entender a história da publicação é entender um pouco a história da própria trajetória do hobby no <strong>Brasil</strong>. Três equipes editoriais passaram pela direção da revista em 123 edições e 14 anos: foram 111 edições pelas mãos do <strong>Trio Tormenta</strong>, 9 sob o comando de <strong>Marcelo Telles</strong> e 3 pela equipe capitaneada por <strong>Silvio Compagnoni Martins</strong>.</p>
<p>E foi justamente com o Silvio (&#8220;embaixador da <strong>ONU</strong>, ativista do <strong>Greenpeace</strong>, semi-vegetariano, bebedor de cerveja blogueiro e joguêiro&#8221;, como ele mesmo se define) que me sentei para conversar esta semana. O que você confere a seguir é a primeira parte de uma longa entrevista onde falamos sobre a situação atual do <strong>RPG</strong>, seu futuro e, é claro, sua passagem pela <strong>Dragão Brasil</strong>.  </p>
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<p><span id="more-507"></span></p>
<p><strong>Trevisan -</strong> Por que você resolveu assumir a DB?</p>
<p><strong>Silvio -</strong> Por que achava que a revista não devia ficar no limbo, pela sua história. Que ela merecia continuar. Além disso, editar uma revista era um desafio pessoal que eu queria descobrir se era capaz de vencer. Sempre gostei da DB nao queria vê-la suspensa, cancelada ou algo assim.</p>
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<p><strong>Trevisan -</strong> Quem fez o primeiro contato? Você ou a editora?  <strong></strong></p>
<p><strong>Silvio</strong> &#8211; O primeiro contato foi deles, se bem me lembro. Foi um processo lento, ate assumir a revista.</p>
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<p><strong>Trevisan &#8211; </strong>Qual era a situação quando você assumiu?  <strong></strong></p>
<p><strong>Silvio -</strong> Segundo as palavras da Teresa e do Ruy (donos da editora Talismã – hoje Melody – responsável pela Dragão Brasil), a revista estava parada e eles queriam voltar com ela de modo rentável. Queriam um resultado rápido e instantâneo. A revista estava em um hiato e eles queriam um novo modelo. Queriam mais controle, estar mais próximos do que era produzido. Montei uma estrutura enxuta e estava no páreo junto com outros profissionais e pessoas conhecidas dentro do RPG.</p>
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<p><strong>Trevisan -</strong> Você sabe quem eram os outros concorrentes? Quem mais disputava para assumir a revista?</p>
<p><strong>Silvio &#8211; </strong>Soube que eram três ou quatro equipes. Um deles era um grande amigo meu, o <a href="http://atsumirpg.net/" target="_blank">Alexandre Itiro</a> (game designer independente, autor do <a href="http://atsumirpg.net/node/17" target="_blank">Buraco RPG</a>). Conversamos um pouco durante o processo, mas nunca tive acesso aos outros projetos. Até porque estava focado em montar o que eu acreditava ser bom para a revista na época.  Depois de uma análise de todos, a direção da editora optou pela nossa proposta. O que nos foi passado era que deveriamos começar do zero e ter resultados ótimos desde o inicio. Nunca achei que fosse possivel, mas aceitei o desafio por acreditar que poderiamos colocar a revista em um patamar bom de publicação.</p>
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<p><strong>Trevisan &#8211; </strong>Alguém chegou a explicar por que optaram por uma reestruturação completa da linha editorial?</p>
<p><strong>Silvio -</strong> A Teresa comentou brevemente que a revista estava muito fechada em torno do Telles (editor da penúltima equipe a passar pela DB) e eles não tinham muito acesso ao que acontecia. Queriam que a nova equipe estivesse mais próxima deles, para que pudessem debater mais seu conteúdo, opinar mais.</p>
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<p><strong>Trevisan -</strong> E quais eram suas idéias? O que você identificou de errado nas encarnações anteriores e que precisava ser mudado?  <strong></strong></p>
<p><strong>Silvio -</strong> Essa resposta vai ser longa. Na verdade eu via a DB como uma filha do Cassaro. Não seria certo, ao meu ver, continuar com o mesmo estilo ou mesma abordagem dele. Ao mesmo tempo, tinha também a minha visão do que poderia ser a revista naquele momento que passávamos. Por isso a idéia foi fazer algo diferenciado, com uma proposta mais madura, deixando de lado alguns pontos e reforçando outros. Pensavamos em uma revista que servisse para jogadores e Mestres refletirem sobre o RPG, que trouxesse temas que ainda não haviam sido abordados nas páginas da revista.  </p>
<p>Além disso, havia o problema do intervalo em que a produção da DB ficou suspensa – quando da saída do Telles – e por conta disso, precisavamos nos preocupar em trazer de volta um publico que já estava no processo de &#8220;diáspora&#8221;. Como tudo foi feito a toque de caixa e o prazo que tinhamos para estruturar a revista era zero, não havia tempo nem estrutura para isso. A revista era produzida com uma verba de apenas quatro mil reais. Este era o cenário na época.</p>
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<p><strong>Trevisan &#8211; </strong>Você disse que a editora queria acompanhar o trabalho mais de perto. Que tipo de intervenção seu trabalho recebia?</p>
<p><strong>Silvio -</strong> Mudanças de capa, fontes, diagramação… era uma mudanca atrás da outra. Quando queriamos algo diferente era dificil conseguir aprovação. E isso atrapalhava o conceito. Não queriamos simplesmente por uma imagem de D&amp;D na capa ou algo do tipo. Um exemplo: quando conseguimos o quick system de Call of Cthulhu, foi dificil fazer a editora entender o  que aquilo significava para mim enquanto jogador, enquanto editor trazendo um sistema cult para Dragão Brasil e ver que eles não entendiam bem o conceito do que era a revista. O que eles queriam era vender. Vender bastante, vender com brindes, com cards ou o que quer que seja. O mote era vender. Ponto.</p>
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<p><strong>Trevisan &#8211; </strong>Havia alguma meta de vendas traçada por eles? Você tinha acesso aos números das suas edições ou a dados sobre o desempenho das duas outras equipes que passaram pela revista (Telles e Trio)?  <strong></strong></p>
<p><strong>Silvio &#8211; </strong>Não tínhamos acesso aos números. Diziam se a revista tinha vendido bem ou não, mas os números não eram repassados. Não havia como comparar com as edições das equipes anteriores. Isso sempre dificultou a tarefa de encontrar o nosso publico. Ouvia pessoas dizendo que não achavam a revista nas bancas, provavelmente por má distribuicao, não sei. Navegávamos no escuro.</p>
<p><strong>Trevisan &#8211; </strong>Nem à tiragem vocês tinham acesso?  <strong></strong></p>
<p><strong>Silvio -</strong> A tiragem girava em torno de 13 mil exemplares, mas confesso que esse é um número do qual não tenho plena certeza.</p>
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<p><strong>Trevisan &#8211; </strong>O que você acha que deu errado? E o que faltou para dar certo?  <strong></strong></p>
<p><strong>Silvio -</strong> Tínhamos pouca verba, pouco tempo e aceitamos um desafio maior do que nossa capacidade permitia. Errei ao querer forçar uma revista e uma visão mais madura. Foi um erro meu e assumo isso. Acho que o momento ainda nao era o nosso. Mas plantamos alguma coisa. Acredito que pudemos mostrar um pouco da nossa visão e isso foi importante pra mim. É um aprendizado que levo comigo e aplico aos novos projetos.</p>
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<p><strong>Trevisan &#8211; </strong>Mas você acha que o erro foi só editorial ou houve tropeços administrativos também? Faltou respaldo da direção da editora?</p>
<p><strong>Silvio -</strong> Ambos. Faltou respaldo, acredito eu. Acho que a visão que tinhamos de alguma forma não casou com a visão e expectativa da editora. Como disse, houve um momento em que navegavamos às escuras por nao termos informações suficientes para fazer um planejamento.</p>
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<p><strong>Mauro -</strong> Olhando hoje, depois de um tempo, você acha que havia como salvar a Dragão se qualquer uma das três equipes que passaram pela direção da revista permancesse?</p>
<p><strong>Silvio -</strong> Como disse, acho que a DB é cria do Cassaro e ela só se sustentaria com ele e sua equipe. Minha opiniao é que tanto o Telles quanto eu deveriamos ter focado em uma outra revista, onde teriamos como imprimir uma cara própria, nossa opinião e estilo. Este seria o melhor cenário. Acho também que se houvesse um trabalho mais consciente da editora com os editores, qualquer um dos três poderia continuar fazendo uma revista de RPG. Acho que os três editores tem suas vantagens e desvantagens seus meritos e defeitos, isso é normal.</p>
<p><strong>Trevisan &#8211; </strong>E quais seriam?  <strong></strong></p>
<p><strong>Silvio -</strong> As vantagens e desvantagens?  <strong></strong></p>
<p><strong>Trevisan &#8211; </strong> Isso.  <strong></strong></p>
<p><strong>Silvio -</strong> Pude ver o trabalho do Cassaro de perto nas poucas vezes em que escrevi para a DB quando ele editava a revista. É o melhor editor do meio. Tem um estilo próprio, uma postura profissional, sabe o que faz e dentro do seu conceito particular preza por alguns pontos que o agradam estéticameente. Este último é a sua vantagem e desvantagem na minha opiniao. </p>
<p>O trabalho do Telles eu acompanhei pouco de perto.  Ele tem também seu próprio estilo  e um approach que ao mesmo tempo pode ser limitante. No meu caso, adotei uma estética e visão tambem própria, mas igualmente limitante. Em resumo, acho que cada um tem um estilo, e hoje vejo o trabalho do Cassaro, de vocês do Trio, com outros olhos. O que antes eu achava limitador, hoje vejo que tem um nicho próprio e uma força maior. E enxergar isso é o merito do editor.  </p>
<p>Um grande fator que deve ser levado em conta é o próprio público, que eu vejo hoje parado, estático em relação ao hobby. Lógico que tem gente produzindo e super ativa no meio, mas a grande massa esta parada, estática. Posso dizer isso com propriedade pois acompanhei in loco e muito de perto os EIRPGs (Encontro Internacional de RPG) e outros eventos. Hoje o povo está muito apático, sempre querendo a mesma coisa, as mesmas receitas. E quem faz algo diferente ou quem produz &#8211; seja coisa boa ou nem tanto &#8211; tem esta dificuldade em mexer na grande massa. É algo complicado e dificil.  É uma pena isso, o fato de os jogadores não terem mais a energia de antes. E sei que é dificil mexer nisso. É um trabalho árduo e desgastante. </p>
<p>Olhando para trás agora, creio que as três  equipes &#8211; a do Telles, o Trio e a minha -  tiveram uma participação no que hoje é o RPG no brasil. Acertando e errando. Agora  parece que chegamos em um ponto complicado que envolve não apenas um trabalho, mas todo o meio. Jogadores editoras, profissionais, tudo.<strong></strong></p>
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<p><strong>Trevisan &#8211; </strong>Você não acha injusto jogar essa responsabilidade para o público? Essa estagnação não é algo normal, comum às outras mídias?<strong></strong> <strong></strong></p>
<p><strong>Silvio -</strong> Não acho injusto. Até porque, nao digo que a culpa seja do público. Apenas digo que ele tem uma participação. Mínima até, mas ela existe. Não acho que a estagnação seja normal. Pode existir uma diminuição nas midias ou na fama do hobby, mas estagnar ao ponto em que se encontra? Não sei&#8230;<strong></strong></p>
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<p><strong>Trevisan -</strong> O que exatamente você vê como estagnação? Falta de movimentação para organizar eventos?  <strong></strong></p>
<p><strong>Silvio &#8211; </strong>Não. Acho que eventos existem, mas precisam ser reformulados.</p>
<p><strong>Trevisan -</strong> Então qual é essa participação do público?</p>
<p><strong>Silvio &#8211; </strong>Hoje temos eventos nos mesmos moldes de quinze anos atrás, quando o RPG era novidade. Isso não mudou e é ruim. Acho difícil corrigir isso ou encontrar uma fórmula que se encaixe e traga resultados. Não é algo que se faz do dia para a noite.  O público de RPG hoje tem em mãos muito mais livros, editoras e material do que tinhamos há quinze anos, mas nao vejo ninguém procurar coisas novas.  Não vejo interesse por novos jogos, novas fontes. </p>
<p>A última vez que vi a grande massa de jogadores se mobilizar foi na época que o Mark Rein Hagen (idealizador da linha Storyteller, da editora White Wolf) veio para o Brasil. Foi quando tivemos o boom de Vampiro &#8211; A Máscara. Hoje existe apenas o ciclo do D&amp;D e derivados. O pessoal não conhece ou não vai atrás de novos jogos, não se mexe. Acho que esta falta de movimento é que está me incomodando. Se você vai em um evento hoje é a mesma sinergia dos eventos antigos, mesma rotina. E hoje quem tem saco de ir a um lugar barulhento jogar? Ninguém.  As pessoas  preferem jogar em casa. </p>
<p>Nos eventos, vão para bater papo, ver alguma coisa e tchau.  Isso porque esta fórmula era boa quando era novidade. Você queria jogar, queria mostrar seu sistema etc. Hoje não faz tanto sentido assim.</p>
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<p><strong>Trevisan &#8211; </strong>Isso não foi substituído pela internet?<strong> </strong>Na época não tinhamos esse tipo de recurso. Pelo menos não na escala atual.  <strong></strong></p>
<p><strong>Silvio -</strong>A internet é uma faca de dois gumes. É excelente como material de apoio, mas o RPG é uma atividade social, o tesão dele é você estar na mesma sala jogando com a galera. Me broxa um pouco pensar na hipótese de o hobby migrar migrar totalmente para a internet. Acho legal que seja um suporte, um apoio apenas. Não me refiro aqui às editoras produzindo .pdf, ok? Isso acho fantastico. Mas, novamente, a internet para mim é um suporte, nada mais que isso. Lugar de RPG é na mesa, com pizza e cerveja. Ou refri pros garotos <img src='http://www.doutorcareca.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
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<p><strong>Trevisan -</strong> Mas aí não é um certo saudosismo da sua parte (e de outros jogadores das antigas também)? É possível que tenhamos até mais gente jogando hoje usando a internet do que tinhamos ao vivo na época. No nosso tempo tinhamos uma seção na DB onde os jogadores procuravam  grupo. E sempre tinha muita gente procurando. Hoje esse pessoal pode jogar sem sair de casa.  <strong></strong></p>
<p><strong>Silvio -</strong> Não sou saudosista a este ponto. Só acho que o meio RPG surgiu de uma interação social e é melhor aproveitado se for usado neste sentido. Como disse, usar a internet como suporte e apoio seja pra econtrar grupos ou  referencias pra suas aventuras, exercitar a escrita e idéias em blogs, etc, acho muito válido, mas jogar mesmo acho muito, mas muito mais divertido ao vivo e a cores<strong>.</strong></p>
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<p><strong>Trevisan &#8211; </strong>E o que deveria mudar no formato dos encontros? No caso do EIRPG, por exemplo?  <strong></strong></p>
<p><strong>Silvio -</strong> Complicado isso. O EIRPG vem mudando, trazendo algumas novidades. Apenas que o sistema de mesas de jogo deveria mudar. Deveria ser  um trabalho mais bem  pensado, com uma participação mais próxima das editoras e das pessoas envolvidas com o RPG. Por exemplo: hoje o pessoal tem mesas de jogo de acordo com cada sistema, certo? Por que não mudar isso? Por que nao fazer com que os Mestres tenham um pouco mais de &#8220;trabalho&#8221; e montem mesas mais interessantes? </p>
<p>Hoje você vê lá o grupo indo jogar com os amigos de sempre e poucas mesas abertas para novos jogadores. Por que não montar mesas especiais? Por que a editora X nao monta cinco mesas com Mestres gabaritados pra mostrar seus sistemas de  jogo e coisas do tipo? Por que não montar mesas surpresa e chamar por exemplo, o Trevisan pra mestrar?  <strong></strong></p>
<p><strong>Trevisan -</strong> Era o que a Devir fazia na Forbidden Planet (conhecida loja paulistana responsável pela iniciação de muitos RPGistas na década de 90)&#8230;  </p>
<p><strong>Silvio -</strong> Imagine a surpresa e a felicidade de quem estivesse naquela mesa? Imagine como seria legal participar de um  encontro nestes moldes?</p>
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<p><strong>Trevisan -</strong> Certo. Mas isso não garante que o cara vá voltar para casa com livros embaixo do braço, juntar o grupo e jogar. A idéia é interessante, mas dá resultado hoje em dia?  <strong></strong></p>
<p><strong>Silvio -</strong> Cara, qualquer iniciativa é válida e nenhuma é melhor do que a outra. Eu mesmo já aluguei o salão do meu prédio para chamar pessoas e jogar board game, jogos de miniatura. Tem clubes fazendo isso o tempo todo e nao importa se o cara depois vai jogar em casa. O que conta é a experiência, que ele vibre com o jogo.  E isso o EIRPG faz pouco.</p>
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<p>No sábado, a segunda parte da entrevista!</p>
<p>Cheers!</p>
<p>T.</p>


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