A Furada das Antologias Pagas

Yo!

Hoje recebi um e-mail curioso, no sentido “tem que ter muita cara de pau para mandar um troço tosco desses”. Se tratava de um convite para uma antologia de contos sobre UFOs. E até aí, beleza. Juro que fiquei até um tanto empolgado, repassando na mente o que eu podia escrever ou tinha pronto sobre o assunto.

E aí veio a “surpresa”: para participar, tem que pagar.

Citando o próprio e-mail: “O sistema da antologia é por cotas. Cada autor pagará R$280,00 de participação, 50% no ato do envio do contrato e 50 % na prova final do livro antes da publicação. Cada autor receberá, no dia do lançamento e dos autógrafos, 19 exemplares do livro mais 1 referente a pagamentos de direitos autorais dessa primeira edição, podendo adquirir outros se desejar por valores inferiores aos de mercado. E o livro ficará exposto para vendas no site da editora, bem como nas livrarias conveniadas”.

Coloquei surpresa entre aspas porque não é um procedimento assim tão anormal, ao menos na frequência.  Este tipo de coletânea, na minha opinião mais do que sincera, picareta e aproveitadora, existe já não é de hoje. E não é o único modelo.

Conforme disse minha colega de pena, Ana Cristina Rodrigues, “Há também a modalidade de consignação. Você manda o conto e recebe 20 exemplares do livro para vender, junto com um boleto no valor exato de 20 livros a ser pago em um mês. Mas é consignação. Você pode devolver os livros, desde que pague o frete”.

Independentemente da abordagem, a pegada toda é explorar a necessidade absurda que o autor principiante tem de ver seu material impresso. A desculpa da editora do e-mail é quase singela: “Nosso objetivo, desde já, é de incentivar a literatura fantástica, revelando novos autores para a mídia e estabelecendo autores já consagrados”.

Seria bonito se não fosse mentira.

Se eu sou um autor consagrado, não vai ser a participação em uma antologia de uma editora que me cobra quase trezentos paus por conto o que vai me estabelecer para o público.

No caso do autor principiante, até entendo o equívoco. Talvez na era pré-internet se justificasse a necessidade de expôr o trabalho primeiro para depois entrar no mercado de fato (o que de maneira nenhuma justifica pagar para trabalhar). Mas hoje em dia? Com blog, twitter, e-mail e a possibilidade de contato direto com editoras e editores de verdade? Soa ridículo, arcaico e – além de tudo – ineficiente. Representa a desvalorização do trabalho de quem se mata para desenvolver seu talento e conquistar mais direitos perante as editoras que trabalham decentemente.

É é ineficiente porque eu, como editor, se descubro que uma antologia dessas foi paga pelos escritores, nem pego na mão. Nem leio. Dane-se se ali tem a próxima J.K. Rowling ou o próximo George R. R. Martin. Se o cara se deu ao trabalho de pagar para publicar, alguma coisa errada tem. Publicar desta forma é queimar etapas. É querer ver seu trabalho publicado em qualquer circunstância, mesmo, como acontece em vários casos, ainda não estando pronto. E esse não é o tipo de autor com quem eu gostaria de trabalhar.

Alguém pode até esboçar uma defesa às editoras, dizendo que elas não lucram com esse tipo de trabalho. Mas aí não é problema meu, certo? Se o cara tem uma empresa e aposta em um modelo que não ajuda nem a própria editora e nem os autores que publica, melhor mudar de ramo.

Participar destas coletâneas é incentivar um modelo explorador, datado e medíocre que, ao contrário do que as editoras gostam de se vangloriar, não ajuda em nada o mercado de literatura.

Cheers!

T.

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51 Responses to “A Furada das Antologias Pagas”

  1. ola! eu resebir alquns e-mail p publicar uma coletania na bienal do livro em sao paulo so q tem q paga o equivalente a exemplares pela editora all pring e fiquei em duvida depois q le este site n sei agora se participo vcs pode me ajudar? bjs

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