Minha Quase Frustração Com o Mercado Editorial Mundial
Ok. O título exato desse post era para ser Minha Ida à Avenida Paulista e a Quase Frustração Com o Mercado Editorial Mundial por Não Conseguir Gastar Um Tostão Mesmo Querendo Torrar Dinheiro Com Todas as Minhas Forças, mas achei que ia ficar meio grande. Além do que, ia atrapahar na hora de divulgar no Twitter. Enfim, não é nada de sabedoria extrema, mas algo que aconteceu ontem e achei no mínimo curioso.
Depois de fazer uma breve visita à redação da Rolling Stone, ontem à tarde, fui, como deixa bem clar o o título, até a Avenida Paulista. Isso no meio de uma chuva do cacete. A idéia era ir até a Livraria Cultura, comprar algum livro legal para tirar o gosto ruim de A Cabana (que minha mãe me obrigou a ler e que eu provavelmente vou acabar resenhando por aqui), que me inspirasse nessa fase boa que eu ando para escrever, e voltar para casa para ler e tocar meus projetos. Pois bem.
Encarei o bus subindo a Teodoro Sampaio no meio do aguaceiro, me frustrei ao ver metade da Paulista sem energia (e com o McDonald’s fechado, o que me impediu de tomar o sundae que eu vinha idealizando o caminho todo) e cheguei na Livraria Cultura. Fui direto até o setor de quadrinhos, sem pensar muito.
De cara, a coleção gringa completa de Calvin, em três volumes, com sdireito a slip case. Foda demais, mas não tive coragem nem de ver o preço.
Ao lado, Peanuts Completo, que eu ando de olho faz tempo. Reconheço que a edição brasileira está muito bem acabada, mas alguns detalhezinhos que só alguém chato como eu se importa, faltam (como a fonte, que foi mudada). E é tira. E tira quer dizer piada. E sempre há piadas que não ficam tão legais quando traduzidas. Por conta disso, ainda devo comprar o gringo, que até tinha lá e não tem uma diferença de preço tão grande comparando com o nacional. O problema é que o gringo tem uma edição em slip case com os três primeiros, que custa um cento e sessenta contos. É essa que eu quero, mas no momento não rolava.
Pensei em Jimmy Corrigan, que todo mundo fala tão bem. Folheei, achei que parecia interessante mas batendo o olho vi que ia ler em 20 minutos no máximo. Deixei de lado.
Nas prateleiras vi também alguns encadernados do Sandman, gringos. Mas ja li todo, e quando for resolver comprar a coleção toda em inglês, devo chutar o balde e apelar para os volumes da versão da série Absolute.
Fui para o setor de livros gringos (porque quase não leio livros em português já faz alguns anos).
Vi An Education, do Nick Hornby, mas acabou de virar filme. Juliet Naked parece legal, mas é leitura rápida demais pelos salgados quarenta e quatro contos. Os dois que eu queria de verdade, World War Z e The Zombie Survival Guide, do Max Brooks, eu já sabia que não tinha (além do que, meu amigo Igor deve trazer ambos de Nova York pra mim, se Nimb quiser). Tinha o novo do Gaiman, Odd and the Frost Giants, mas era pequeno, fino e custava 15 doletas.
Fui para o setor de artes, procurando livros teóricos sobre roteiro, mas não vi nada de diferente. Só a tradicional pilha de livors do Syd Fields, cuja fórmula quase matemática de escrever me irrita profundamente.
Sem esperanças, segui para o Omalleys com um casal de amigos que encontrei por acaso, tomar Guinness a onze reais (todo dia 11 do mês rola essa promoção).
Na volta, resolvi dar a última cartada. Há muitos anos fui colecionador da revista Wizard. Suas mais de cem páginas eram minha principal fonte de informação quadrinhística e até hoje tenho pilhas guardadas aqui em casa. Sabia que hoje em dia a revista custa bem caro (trinta e cinco reais, para ser mais específico), mas dane-se. Eu queria ler e ia comprar.
Fui direto até a banca que costuma ter a revista e achei. O problema é que deve ter rolado alguma reestruturação editorial na dita cuja e se agora ela tiver 64 páginas é muito. E não é mais uma revista sobre a indústria dos quadrinhos. É sobre entretenimento. Ah , sim. E o preço continua o mesmo.
Finalmente me dei por vencido e fui para casa sem nada para ler.
E aí fico dividido entre a teoria de que o mercado editorial anda confuso, a de que eu ando confuso e a de que as opções são tantas que a gente fica mesmo sem saber o que escolher. Se alguém tiver mais alguma teoria a respeito, fique à vontade. Eu adoraria chegar a alguma conclusão.
Cheers!
T.
PS. Enquanto escrevia esse texto, lembrei que há um bom tempo quero ler The Road. Olhei no site e aparentemente tem na Livraria Cultura. Amanhã devo ver se compro.
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Sabendo ler inglês, é claro, você tem mais opções. Mas não está claro se você só lê em inglês ou se consome os livros no idioma original do autor. Tenho pra mim que já leste o André Vianco. Então vou perguntar, leste A Batalha do Apocalipse do Eduardo Spohr? Consegui, finalmente, encomendar o meu, que chegará semana que vem. Não duvido que seja um bom livro, pois várias pessoas que conheço disseram que é de qualidade. Não vou lê-lo agora, pois estou lendo O Senhor dos Anéis v. I(sei que você não passou do v. II e não te condeno, Tom Bombadil que o diga) e pretendo finalizar Tolkien antes.
Não acho que você esteja errado. O mercado tá meio doido. Com porcarias como Crepúsculo(mamãe disse que é ruim demais, acredito em seu julgo neste quesito. Muito!) sendo exaltadas prateleiras mundo afora, não é de se estranhar sua frustração.
Na dúvida, apele pros clássicos. Desaconselho, desde já Kafka(“Esquartejem-me, cubram-me de melado e joguem-me para as formigas cuspidoras de fogo do Fallout 3″ como disse você), Metamorfose é broxante e tirou meu tesão de ler outra coisa do autor.
Abraço.
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Não sei se posso me aprofundar tanto no que vou dizer; mas a verdade é que muitas vezes hoje em dia vejo um medo por parte das editoras em “arriscar” em certas vendas. Acho que o pulso firme não tem sido tão firme ultimamente pra jogar as cartas e apostar pra valer.
O consumidor recentemente tem vindo a ocupar a leitura do computador e à pesquisa de pirataria pelo dito cujo do que pelas revistas, quadrinhos, HQs e livros, e isso acho que tem vindo balanceando o mercado editorial um pouco — e principalmente nesse foco.
É mais fácil, por exemplo, achar um livro gringo pela internet, do que levantar da cadeira e pesquisar livrarias à fora. Acho que está havendo ainda uma certa adaptação por parte das vendas com a “moda brusca de internet”.
Alguns mercados já estão se acostumando, e outros já se acostumaram. Outros(as) não.
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Sai um pouco da ficção especulativa (eu sei que tu falou do Hornby e portanto não ficou restrito, mas tu entendeu) e compra uns Philip Roth. Baratinho, e são umas porradas.
Outra dica: qualquer coisa do Neal Stephenson, mas principalmente Cryptonomicon (uma das melhores coisas que eu já li) ou The Diamond Age (que eu estou economizando, mas devo acabar hoje).
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Faço coro com o Leonel ai de cima- li o Snow Crash (que comprei na Cultura daí no EIRPG!), que saiu aqui como Nevasca, pirei, e tô começando o Cryptonomicon. Parece foda!
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Rocha, te prepara para ficar louco com o Cryptonomicon. E, quando tu acabar, vai querer ler o Baroque Cycle, e a tua vida acaba…
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Concordo plenamente com todos………… lei pouca literatura brasileira e modinhas………
Não que a literatura brazuca ta ruim……… é que últimamente ta meio dificil de ver coisa boa……………
É muito o que o Balrog disse………. as editoras tem um enorme medo que investir em algo que nem ao menos pague o papel que foi imprimido………….
O mais duído disso tudo é que a gente acaba perdendo muito com isso tudo………..
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The Road também virou filme, com o Viggo Mortensen. E eu curti a adaptação, ó.
=D
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