Hora do Exercício – Influências
“Ninguém é uma ilha”, certo? Mais ou menos. Escritores são ilhas cercadas por todos os lados.de todo o material criado por seus antepassados literários. Bem profundo, não?
Obrigado. Ando inspirado ultimamente.
Enfim, não há como se livrar de toda a carga criativa que assimilamos e absorvemos no dia-a-dia. Ainda mais nesses tempos de internet e downloads quase instantâneos.
Produzimos, consumimos o produto dos outros e em algum momento do processo as duas coisas se misturam e se transformam em algo novo.
Como todo mundo, tenho minhas influências. A idéia hoje é expô-las para que todo mundo possa vê-las e identificá-las dentro do meu trabalho.
Para ser muito sincero, não sei até que ponto é um exercício válido, mas vai ser interessante. Além disso, é uma ótima oportunidade de dar crédito as pessoas responsáveis pela minha carreiras, já que a chance de eu ganhar um Oscar e poder fazer isso em rede mundial é – atualmente – nula.
Só para avisar: não há uma ordem de importância (mas talvez haja uma confusa cronologia nisso tudo). Todos foram importantes. Juro.
Vamos lá.
- Coleção Vaga-Lume - Não me lembro o nome do livro que me fez resolver ser escritor (eram dois coelhos detetives. É tudo o que sei), quando tinha 9 anos, mas sei quais livros mantiveram a idéia na minha cabeça. A Coleção Vaga-Lume era composta de livros de linguagem simples, mas sem ofender a inteligência de nós, crianças oitentistas. Sem eles, é bem provável que este blog não existisse.
Obra Favorita: O Mistério do Cinco Estrelas.
- Agatha Christie – Hoje em dia, nada restou da influência da velha escritora inglesa, mas aos 14 anos eu lia pelo menos uma obra da autora por semana e sonhava em escrever um livro de mistério. Usando uma máquina de escrever, cheguei a por no papel alguns capítulos do meu suposto romance policial e mostrar para vários colegas de classe (que adoraram, o que não quer dizer aboslutamente nada). E então parei. Quando alguém me perguntou por que eu tinha desistido, minha resposta foi: “Sou muito novo ainda. Não tenho capacidade para escrever um troço desses”. Hoje, quase 20 anos mais velho, ainda não tenho.
Obra Favorita: O Caso dos Dez Negrinhos (também conhecido pelo título policitcamente correto E Não Sobrou Nenhum, também utilizado na edição norte-americana. A palavra “niggers”, usado no título original da edição britânica, tem uma conotação racista e ofensiva nos Estados Unidos).
- Chris Claremont & John Byrne/ Marv Wolfman & George Perez – Não sei o momento exato em que pensei “Ok, acho que quero escrever quadrinhos”, mas não seria muito arriscado apostar que foi depois de ler as histórias de alguma dessas duas duplas. A primeira foi responsável pela melhor fase dos X-Men em todos os tempos e a segunda transformou o bando de sidekicks que formavam os Novos Titãs em personagens respeitáveis. Havia ação, drama e conflitos pessoais. só percebi que personagens de quadrinho podiam se parecer com gente de verdade por culpa desses quatro.
Obras Favoritas: A Saga da Fênix Negra, O Contrato de Judas.
- Frank Miller – Antes de ficar velho, viajar na maionese e cometer as atrocidades quadrinhísticas (O Retorno do Cavaleiro das Trevas, All-Star Batman and Robin) e cimetográficas (The Spirit) dos últimos anos, Miller era um roteirista genial (e brilhante desenhista). Embora hoje renegue essa técnica com todas as forças do meu ser, usei e abusei da narrativa introspectiva em primeira pessoa em meus primeiros trabalhos (principalmente em O Ninja, parcialmente uma chupação descarada e amadora de Ronin).
Obra Favorita: A Queda de Murdock (só para sair do lugar comum).
- Carlos Alberto Ferreira (o Gáu) - Eu tinha uns quinze anos quando entrei no Curso de Histórias em Quadrinho e Caricatura do SESC Pompéia, e o Gáu era o professor. As tardes que eu passava lá mudaram não só a minha vida, mas a de caras como Greg Tocchini e Breno Tamura também. Além de ter aprendido toda a base do que é fazer um roteiro e estruturar uma página, foi ali que ajudei a editar meus dois primeiros e únicos fanzines: Zine Insano e Terceira Dimensão. Por motivos diferentes, nenhum dos dois passou do segundo número, mas ambos serviram como primeiro contato com a profissão de editor. Por ter tentado construir uma carreira como quadrinhista em uma época muito mais difícil e menos globalizada que a de hoje em dia, Gáu me ensinou a primeira lição básica do artista brasileiro: é dificil, mas insistindo a coisa anda. E não é que ele estava certo? Ah, sim! Foi saindo do SESC que conheci um certo Marcelo Cassaro e viciei num tal joguinho chamado RPG…
Obra Favorita: Ser Medonho.
- Fernando Aoki – O Aoki era veterano do curso do SESC e só ia lá para dar palpite. Minha sorte é que os palpites eram bons. Foi ele quem me mostrou mangá de verdade (muito antes da coisa se espalhar como praga por todos os lugares e orificios do universo) pela primeira vez, incluindo uma fita VHS da versão animada de Akira, séculos antes da animação chegar ao Brasil. Graças a esse japonês que fala mais que a boca, me aprofundei na obra de Alan Moore, descobri os quadrinhos adultos, os mecanismos por trás dos comics e passei a acreditar que sim, eu tinha potencial para ser um roteirista foda um dia. E toda vez que esqueço disso ele aparece para me lembrar.
Obra Favorita: Alma de Aço (em processo de recauchutagem).
- Alan Moore - Embora adore o estilo lírico do mago inglês, acho que pouca coisa de sua obra transparece diretamente no que escrevo. Sua influência vem mais do campo teórico. Mais precisamente de On Writing For Comics – um artigo escrito pelo britânico para o Comics Journal em 1988 e traduzido pelo Aoki – onde ele destrinchava todo o seu processo de criação. Até hoje uso o texto como referência e recomendo a todos os pretendentes a roteiristas.
Obra Favorita: V de Vingança.
- Neil Gaiman – É uma influência das antigas, mas que perdura até hoje. Vira e mexe acho ecos de Neil Gaiman em coisas minhas. Desde a (um tanto) recente mania de escrever poemas em inglês até a paixão pelas lendas feéricas das ilhas britânicas e Shakespeare (que eu pensei em colocar nesta lista, mas não ouso).
Obras Favoritas: Stardust (de novo para sair do lugar comum) e Fumaças E Espelhos.
- Stephen King - Digam o que quiser: King é o mestre do horror moderno e sabe prender a atenção do leitor como poucos. Sua carreira teve (e ainda tem) seus altos e baixos, mas o que é bom é MUITO bom. Com ele aprendi a criar tensão variando o ritmo do parágrafos, usar referências pop em minhas histórias e a fazer diálogos decentes.
Obras Favoritas: A Coisa e O Cemitério.
- Margaret Weis & Tracy Hickman – A dupla criadora do mundo de Dragonlance é a maior e provavelmente única influência direta significativa dentro da minha obra publicada no gênero Fantasia Medieval. Sem os dois, é bem possível que eu tivesse passado o resto da vida escrevendo somente contos de terror.
Obra Favorita – Legends Trilogy (Dragonlance).
- Marcelo Cassaro - Ninguém me ensinou tanto na vida profissional quanto o Cap. E muita coisa eu nem aprendi direito (como trabalhar igual um cachorro para conseguir as coisas ou abrir mão de certas convicções artísticas vez ou outra, por exemplo). Se o Aoki me apresentou os mangás, foi o Cassaro quem me mostrou que eles realmente serviam para alguma coisa. Aprendi mais acompanhando a evolução de Holy Avenger a partir dos bastidores do que em qualquer curso e devo toda a minha carreira à paciência de ninja do Capitão. É um dos escritores mais prolíficos, criativos e subestimados que já conheci.
Obra Favorita: Holy Avenger.
- Garth Ennis – Irlandês maluco que passou por Hellblazer mas ficou famoso mesmo com a série Preacher, Mr. Ennis abriu meus olhos para o mundo das bizarrices e dos palavrões em doses cavalares, mas bem aplicadas. Seu grande mérito é conseguir juntar ação a diálogos sensíveis e absurdamente naturais, coisa que ainda estou aprendendo a fazer. Neste exato momento, diga-se de passagem.
Obra Favorita: Preacher.
- Leonel Caldela - É, quem diria: de pupilo a mestre. Os três volumes da trilogia que o Leonel criou me mostraram o que não tive paciência para aprender com Cornwell: há espaço para a crueza na Fantasia Medieval. Nem tudo precisa ser certinho. Um mundo que abriga fadas, elfos e anões também pode ter doenças, prostitutas, esterco e sexo. Parece pouco, mas é bastante.
Obra Favorita: O Crânio e o Corvo
Menções honrosas: Grant Morrison, Brian Michael Bendis, Robert Kirkman, Laerte, Willian Shakespeare, Quentin Tarantino, George R. R, Martin e Guy Ritchie.
Cheers!
T.
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Influências, tenha-as ou esqueça-as.
- Com certeza o trio tormenta, umas das minhas maiores influências.(até hoje relembro a máxima: Te dou uma bifa e te penabundeio )
- O pequeno principie. É estranho eu sei, mas eu tava revirando as coisas da minha mãe(7 a 8 anos de idade, um prodígio, eu sei XD), achei e li. aprendia a cativar.
- Maurício de Souza me ensinou a ler (e a fazer trocadilhos bestas).
- Seu Jairo, professor de história, primeira pessoa que me falou sobre 300 guerreiros que brigavam a sombra das flechas inimigas, contou sobre guerreiros que viviam e morriam pela espada, desbravou o brasil com anti-heróis bandeirantes. Deu cor, cheiro e movimento a uma matéria que antes era morta e massante.
- O pouca-telha, pq não ? Fique feliz, vc tem fãs! fique mais feliz, seus fãs pensam( ou nem tanto :S hehehe).
Tem muito mais de onde veio esses, mas sinceramente, a influência de sono ta maior.
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Tai uma ideia para um podcast. “As 10 maiores influencias” artisticas (musica, cinema, tv, literaria, etc) .
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1 – downloads quase instantâneos soh pra quem tem net rápida
2 – \o/ alguém mais nesse mundo curte romance policial!!!!!
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Muito boa seleção Trevisan, apesar de que Watchmen é a minha obra preferida de Alaan Moore (e não, não é por causa do hype).
Mas quem é esse tal de Calldela e esse Cassaro?
AgaGê: ué, eu também gosto.
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Tem umas influências aí que eu nunca esperava encontrar no seu blog, e outras que tava na cara.
Parando pra pensar, as minhas maiores influências ãté agora são o Neil Gaiman, o Luis Fernando Veríssimo e você. =x
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Boa lista, tirando esse Stephen King : )
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Boa lista, tirando esse Stephen King
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O Dr. Careca sempre me influênciou como mestre de RPG, escritor e pq não como Pessoa…. Hj ao postar as suas inflências ele abriu ainda mais meu campo de visão. Valeu mesmo Dr.Careca…
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