Conto – Son of a Gun (Parte 1)
Como preciso urgentemente de um post para encerrar a árdua maratona do mês com meus objetivos plenamente cumpridos (mais de 30 no mês, um record na história do blog, inclusive) e estou atrasado para ir ao cinema, lá vai a picaretagem mais honesta que conheço: um conto pré-histórico reciclado! Eeee!
Son of a Gun foi publicado na Dragão Brasil (não tenho idéia do ano, mas faz tempo) e tem como base meu fascínio por caçadores de vampiros. Não é dos mais brilhantes, mas acho que não faz feio.
SON OF A GUN
Jonas Smith puxou seu Zippo e acendeu um cigarro, completamente desolado.
À sua volta um amontoado de livros de bolso da década de 50, com títulos fpra de moda como “Noite do Terror” ou “O Vampiro da Meia-Noite”. No canto esquerdo uma televisão fora do ar emitia um chiado agudo e persistente, como uma serra elétrica fora de controle. Na parede da frente havia algumas fotografias coladas cuidadosamente com fita adesiva azul, embora as imagens tivessem se tornado indistinguíveis com o passar do tempo.
Tinha ali tudo que havia conseguido na vida. As memórias de vinte anos de uma carreira eficiente e inabalável. Um punhado de coisas velhas e inúteis. “Tesouros de um velho idiota”, como ele mesmo dizia. É claro que houve um tempo em que se importava com tudo aquilo, quando teve que abrir mão de uma oferta de emprego fantástica em Los Angeles, da mulher e do filho para poder continuar sua missão sagrada, mas aquele tempo já havia passado. Estava velho e cansado. E as coisas começam a perder o sentido quando se chega neste ponto.
A grande verdade é que havia um desequilíbrio em sua vida. Uma fissura, do tamanho da falha de San Andreas, que aumentava de tamanho à cada dia. E não era a bebida a única causa de tudo. Havia uma grande dose de comodismo e desânimo. Mas o maior problema, aquele que transformava até as coisas mais normais em missões quase impossíveis, era ironicamente simples.
Estava doente.
Muito doente.
Para falar a verdade estava morrendo e sabia disso. Havia notado repentinamente os quinze quilos que perdera nos últimos dois meses, a perda excessiva de seus já escassos cabelos e o sangue que se misturava ao escarro toda vez que era acometido de um acesso de tosse repentino.
Isso aconteceu poucos dias antes das dores de cabeça começarem realmente a incomodar. Era um zumbido constante seguido de uma pontada de intensidade verdadeiramente assustadora. Leu uma matéria no jornal à respeito de um cara com sintomas parecidos que dizia estar recebendo mensagens secretas de alienígenas. Certamente seu caso não era tão fantástico.
Aliás, fazia tempo que não frequentava mais as páginas dos jornais. Chamavam- no de assassino nos velhos tempos. De demônio. Será que eles desconfiavam de como isso era irônico? De como blasfemavam ao tentar interromper sua missão? É claro que não.
Na noite anterior havia tido um sonho. Exceto que não era apenas um sonho.
Era uma visão.
A Virgem apareceu ao lado de sua cama, vestindo uma camisa florida e segurando uma máquina Polaroid. Sangue jorrava de sua boca, borbulhando e escorrendo por entre os dentes em pequenas cascatas na direção do queixo e pescoço até atingir o chão, formando manchas vermelhas no tapete. O flash da máquina disparava sem parar e Ela ria como uma louca. As fotos instantâneas caíam e voavam por todo o quarto num enorme redemoinho. Depois disso, tudo ficou escuro e ele não pôde ver mais nada.
Recobrou-se somente duas horas depois. De alguma forma sabia que aquilo não era só uma alucinação especialmente patrocinada pela sua última garrafa de White Horse.
Era um sinal. Como a chama do Espírito Santo sobre a cabeça dos apóstolos de que falava a Bíblia. Tudo fazia parte de um grande enigma divino que lhe traria a última revelação de sua vida. Só que ele não sabia como resolvê- lo.
Pelo menos até encontrar uma fotografia ao lado da cama, próxima a uma mancha de sangue ressecada no tapete. Era um retrato seu, deitado na cama, o olhar assustado na direção da câmera.
Aproximou a foto dos olhos e notou algo estranho. Na parede, exatamente acima de sua cabeça, havia algo gravado em letras pequenas e luminosas, como legendas de algum filme B mexicano… um pequeno trecho da Bíblia.
“Porém a serpente disse à mulher: Vós de nenhum modo morrereis. Mas Deus sabe que, em qualquer dia que comerdes dele, se abrirão os vossos olhos, e sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal.” .
Leu-o mais de uma vez e sorriu satisfeito enquanto colocava sua valiosa informação no bolso de trás da calça. Seguiu até as janelas e afastou as cortinas para que os raios de sol entrassem e iluminassem o escuro e empoeirado apartamento. Aquele havia sido um tempo de trevas mas estava chegando ao seu final.
Afastou a velha cama de casal e retirou de baixo dela um baú de madeira. Arrancou o cadeado enferrujado que pendia da fechadura, levantou a tampa e sorriu mais uma vez. O enigma estava resolvido e a revelação estava clara em sua mente.
O que havia restado de sua vida adquirira um novo significado. Ele agora voltava a ser o instrumento do Senhor.
E havia muito a ser feito.
* * *
Tomas estava impaciente dentro do carro e não aguentava mais esperar.
Darth havia lhe telefonado à cerca de uma hora e ainda não havia aparecido. O mais preocupante era que o tom de sua voz não havia sido dos mais tranquilizadores. Para ser sincero, ele parecia tenso. Extremamente tenso. E isso era particularmente estranho. Desde que o “contratara” informalmente como contato em setembro de 92, jamais ouvira-o falar daquele modo. Darth era alegre, bem humorado e uma das poucas pessoas em quem ele realmente podia confiar.
Entretanto, ficava claro que eles tinham uma relação estritamente comercial: Tomas às vezes se expunha demais e precisava de alguém atento a tudo que acontecesse à sua volta. E aí é que entrava Darth. Ele era esperto, tinha seus próprios contatos, era um grande entendido em computadores e tudo o mais que envolvesse informática e, principalmente, sabia ficar de boca fechada. Por isso todas as quartas à noite Tomas aguardava um telefonema seu e rumava para o Mc Donalds no centro da cidade, onde recebeia as informações.
Darth jamais marcava um encontro em sua própria casa onde quer que esta ficasse. Era uma questão de segurança pessoal, como gostava de dizer. O que justificava mas não explicava muita coisa. E esta era uma das poucas coisas que incomodavam Tomas. Sabia muito pouco, ou quase nada à respeito de Darth. Não sabia nem ao menos seu nome real… o pseudônimo que usava era uma espécie de homenagem ao vilão mor do que ele costumava chamar de “a sagrada trilogia” .
Darth também sabia muito pouco sobre ele. Havia coisas que não tinha como esconder. Ele era um policial e não havia problema que soubesse disso. Era até bom que soubesse. As pessoas costumavam confiar em policiais.
O que ninguém sabia era sobre seu outro negócio. O verdadeiro negócio.
Tinha um belo carro e um grande apartamento próximo ao centro da cidade e com certeza não havia conseguido tudo aquilo patrulhando as ruas de um bairro pobre numa viatura caindo aos pedaços.
A grande lição que aprendera na vida é que nenhuma oportunidade deveria ser desperdiçada, e elas sempre apareciam . E ele fora esperto o suficiente para agarrar a sua . O tráfico de drogas era realmente uma coisa maravilhosa.
Ainda não estava no negócio há tempo suficiente para se tornar uma grande expressão entre os traficantes da cidade, mas esta era sua meta para o próximo ano. Então poderia esquecer o distintivo, pendurar o uniforme e se livrar de toda aquela gente medíocre do departamento de polícia.
Não que fosse um mau policial, mas estava ficando cada vez mais difícil manter seus dois trabalhos paralelamente. Muito em breve teria que se livrar de um deles e a escolha já estava bem clara.
Uma hora e meia depois do telefonema Tomas viu Darth entrando no Mc Donalds. Esperou mais quinze minutos, fechou o carro e entrou também, esperando sinceramente que Darth não tivesse nada muito grave para lhe dizer.
* * *
Darth estava sentado numa mesa de canto, comendo um Big Mac e tomando um milk shake sem muito entusiasmo, o que era extremamente atípico.
Tinha cabelos compridos, e cerca de vinte e dois anos. Era um daqueles caras de rosto comum. Usava uma camiseta branca e uma calça jeans rasgada mais ou menos na altura do joelho.
Tomas, por sua vez, era a antítese perfeita de Darth. Onde quer que fosse fazia questão de usar a melhor roupa que tivesse. Era muito mais uma questão de exibicionismo do que de gosto pessoal. Achava que as roupas que usava eram um meio de mostrar a todos aqueles seres comuns e medíocres o que ele era e o que pretendia vir a ser. Não era particularmente bonito, mas tinha o que se podia chamar de “aparência agradável”.
- Oi Darth.
- E aí Tom.
Por pouco tempo houve uma pequena pausa entre os dois. Tomas sentiu a tensão no ar e percebeu pela primeira vez o quanto as coisas estavam erradas. Darth apanhou algumas batatas fritas e enfiou todas na boca, mastigando com a boca aberta. Ás vezes tinha- se a impressão de que ele fazia aquilo de propósito, como se fizesse questão de ignorar todas as normas de educação e etiqueta existentes no mundo por mera diversão.
- Você devia comer alguma coisa, Tom. Tem certeza de que não está doente?
- Tenho. Fui ao médico semana passada e nunca estive melhor em toda a minha vida – Tomas respirou fundo e passou a mão no cabelo num gesto claro de impaciência. Estava começando a ficar nervoso. E as coisas definitivamente não iam bem quando isso acontecia.
- O que está acontecendo, Darth ? Posso estar enganado, mas acho que você não me chamou até aqui para discutir detalhes da minha vida pessoal…
- É. Pode crer que não.
- E então ? Estou esperando.
Darth afastou a bandeija que estivera à sua frente e cruzou os braços em cima da mesa. Pela primeira vez olhou fixo para os olhos de Tomas como se estivesse estudando-o, dissecando-o minuciosamente, prestando atenção em cada detalhe sem que nada lhe pudesse passar sem ser notado.
- Sabe Tom, ouvi uma história uma vez. Sabe como é…nesse ramo de atividade a gente ouve muitas coisas. Umas são verdadeiras, outras são só boatos…Como aquela vez em que espalharam que Pablo Garcia tinha se afogado enquanto fazia sexo oral com uma prostituta na banheira de hidromassagem. Se lembra?
Tom assentiu e sorriu. Darth acompanhou-o ainda de boca cheia, com a língua forrada do que antes haviam sido batatas-fritas.
- Bem, ouvi outra dessas pérolas um tempo atrás. Sobre Leland Thompson…já ouviu falar dele?
Lógicamente Tomas já tinha ouvido falar. Leland tinha sido um dos ícones da cidade durante a década de setenta. O símbolo da geração paz e amor. Antes do final do movimento hippie já havia formado sua própria comunidade e, dizem, foi capaz de sintetizar um novo tipo de droga ainda mais forte que o LSD.
Leland era rico, feliz, e com lugar assegurado dentro da história da América. Mesmo assim, antes do fim dos anos setenta, o velho Thompson sumiu sem deixar qualquer vestígio. Nunca se importaram em procurar o velho hippie.
- A verdade é que, oficialmente, ninguém sabe o que aconteceu com o velho. Existem trocentas teorias, mas acredite, nenhuma é verdadeira exceto a minha. O engraçado é que não há nada demais nessa história. Nenhuma justificativa mirabolante ou plano fantástico. O cara simplesmente vendeu meia dúzia de bens-chave, mudou de identidade e sumiu do país. Hoje é um travesti conhecidíssimo na América do Sul. Tem um show de mambo que roda a Europa pelo menos uma vez por ano…
- Heh…isso é piada Darth…
- Não, não é – respondeu o rapaz com ar sério – Pouco tempo antes de iniciar seu processo de desaparecimento, Leland ficou sabendo que um tal de Andrea Luchezzi estava trás dele. Sabe quem era Luchezzi, não sabe?
- Não tenho a menor idéia.
- Heh. Para um policial seu conhecimento criminal é bem fraco, se quer saber. Luchezzi foi um dos homens fortes da máfia na época. Não do tipo que aparece na mídia. Esqueça aquela história de Poderoso Chefão. Luchezzi apenas mexia as cordinhas. Leland devia uma grana absurda para o cara…
- E o cara queria a cabeça do hippie…por isso resolveu sumir.
- Bingo.
Houve um novo silêncio. Tom havia ouvido a história toda mas um único pensamento lhe rondava a mente como uma mosca zumbindo em volta de sua cabeça.
- O que isso tem a ver comigo, Darth?
O jovem mostrou um sorriso leve que morreu logo em seguida.
- Acho que é hora de sumir, Tom.Tem alguém atrás de você.
Então era isso? Provavelmente seus amigos fardados haviam finalmente descoberto suas armações certo? Tudo bem. Nada ia sair do controle. Só precisava saber de uma coisa antes de começar a iniciar as providências.
- Quem?
Darth respirou fundo amassando o copo de Coca-Cola agora vazio. Limpou as mãos e a boca no guardanapo de papel, olhou para o alto e apoiou-se nos cotovelos, aproximando seu rosto do de Tomas como um lobo que olha para a futura refeição.
- O “Assassino da Meia-Noite”, Tomas. O braço direito do Senhor. Jonas Smith iniciou uma nova caçada, amigo. E você é o prêmio.
Tomas tentou se conter por alguns instantes mas não conseguiu. Pela primeira vez em anos se sentia sem saída. Não havia nada que sua mente brilhante pudesse conceber afim de livrá-lo do destino que o esperava.
Talvez Darth não soubesse, mas Tom conhecia Jonas muito bem. Afinal, o homem não havia sido apenas um dos maiores assassinos da história dos Estados Unidos, deixando um rastro de sangue e morte de costa a costa antes de sumir do mapa há anos atrás. Para Tomas, Jonas era mais que isso. E embora boa parte das pessoas jamais viessem a saber do fato, a verdade era uma só.
Jonas Smith era seu pai.
* * *
Tomas ficou parado dentro do carro por quase duas horas. Aos poucos foi se lembrando de tudo o que Darth havia lhe contado e sentiu um frio repentino na espinha.
Darth havia relatado uma história que ele já conhecia muito bem. Jonas havia iniciado sua “carreira” há quase trinta anos atrás. Seus assassinatos não tinha um padrão definido. Qualquer um podia ser a próxima vítima. O quer que impelisse Jonas a cometer os atos hediondos que cometia, estava apenas em sua mente. Todas as tentativas de captura haviam sido frustradas. Tomas não havia muito contato com o pai. Ainda era pequeno quando Jonas converteu-se de um homem comum para um fanático assassino religioso.
Quando a loucura e obsessão do velho haviam chegado ao auge sua mãe havia pensado várias vezes em fugir. Vez ou outra mãe ajoelhava-se para olhá-lo nos olhos e lhe contava que talvez tivessem que se mudar “para bem longe” e “deixar o papai com amigos”. Tudo para livrar o garoto da presença nociva do pai.
Por um tempo Jonas voltou a ser um homem normal e estabeleceu-se numa clínica para pessoas perturbadas voluntariamente. Dizia que estava cansado e que precisava de um tempo para si mesmo. A mãe de Tomas agradeceu ao céus por ter o marido de volta. Tinha esperanças de que Jonas voltasse a ser o homem por quem havia se apaixonado, de que retornasse para junto de sua família e retomasse a vida normal e pacata que haviam tido até o início daquilo.
Três meses depois da internação, Jonas fugiu da clínica deixando um rastro de nove mortes pelo caminho. Médicos, enfermeiras e um grupo inteiro de internos. A polícia encontrou corpos retalhados das mais variadas formas. Mensagens bíblicas escritas em sangue decoravam as paredes da clínica.
Alguns anos depois as mortes pararam. A mídia aos poucos foi esquecendo dos assassinatos. Outros assassinos, outros loucos mais falíveis e mais humanos tomaram seu lugar nas manchetes e assumiram seu papel no freak show em que o mundo havia se transformado.
E nunca mais se ouviu falar do “Assassino da Meia-Noite”.
* * *
Tom podia imaginar o quanto o assunto havia intrigado Darth. O informante era esperto e além disso curioso. Dezenas, talvez centenas de mortes sem motivo aparente, sem nenhum padrão racional. Devia haver uma resposta, não devia?
Darth, encontrou o que queria num velho arquivo de computador. Um relatório esquecido. Uma entrevista de Jonas a um psicólogo, datada de 1972 onde o assassino supostamente esclarecia a motivação de seus atos.
“Não mato pessoas, doutor. Não sou Deus. Mato demônios. Mato vampiros. Lobos que se vestem em pele de cordeiro…como Judas quando traiu Cristo”.
No McDonalds, ao mostrar o pedaço de papel impresso com letras miúdas de computador, Darth olhou no fundo dos olhos de Tom, levantou-se da cadeira sorrindo e disse três pequenas palavras que agora dançavam na mente do policial tanto quanto a sombra do caçador à sua espreita.
“Por que você?”
A resposta era bem mais simples do que parecia.
Tomas era um vampiro, disfarçasse bem sua condição. Sabia o quanto era perigoso permitir que um humano descobrisse que vampiros não eram apenas personagens de livros ou impresões em rolos de celulóide, no final das contas. Fazia pouco tempo que havia sido transformado, se comparado com os outros poucos que conhecia, mas era inteligente o suficiente. Em todos estes anos não se lembrava de uma só pessoa que tivesse chegado perto da verdade sobre ele.
Era irônico que, sendo filho de um dos maiores caçadores de vampiros da história desde que se descobriu que Van Helsing era realmente apenas uma criação literária, ele próprio tivesse se tranformado em uma “criatura das trevas”. Por muito tempo havia achado que, de alguma forma, algum inimigo de seu pai havia descoberto a ligação entre os dois e tinha usado o rapaz para se vingar do caçador. Mesmo assim, sabia que no fundo, no fundo, aquela era apenas uma tentativa patética de achar uma explicação plausível onde não havia nenhuma.
De qualquer modo, Tomas havia aproveitado muito bem sua condição vampírica dentro da polícia e da organização criminosa da qual fazia parte. Era um vampiro muito novo, tinha poucos poderes, mas é como se diz: “um bom jogador é capaz de fazer milagres com um par de azes”. Havia influenciado chefes do tráfico, assassinado pequenos concorrentes e tomado território pouco a pouco.
Agora tudo aquilo que havia conquistado, tudo o que havia conseguido nos últimos anos estava ameaçado. Seu pai havia voltado à ativa e, ao que parecia, tinha resolvido destruir o mal que crescia dentro de sua própria família. Não duvidava que o homem fosse capaz de sacrificar seu próprio filho em nome da palavra de Deus. Alguém já havia tentado isso na Bíblia, não havia?
Não podia contar com a polícia sem se expôr demais. Além disso, quem em sã consciência acreditaria que um assassino de mais de sessenta anos estava de volta ativa para assassinar o próprio filho? Tomas já havia visto filmes B com roteiros mais plausíveis.
Os poucos vampiros que conhecia também seriam de pouca ajuda. Os tempos haviam mudado e, se antes os vampiros ostentavam sua imortalidade como troféus conscientes de sua invencibilidade, hoje a maioria se esconde no buraco mais fundo que puder encontrar com medo da própria sombra. Além disso, não se ataca um cardume de peixes com uma horda de minhocas, não é mesmo?
Tomas parou para pensar um pouco e recuperou a calma. Tentava se segurar a um único pensamento, como um náufrago que se agarra aos destroços de um barco. Pelo menos havia Darth. Sabia que, de algum modo, o informante estaria a seu lado quando precisasse.
O toque do celular despertou Tomas de seus pensamentos. Olhou em volta assustado e perdido até se lembrar que o aparelho estava sobre o console do carro. Atendeu ainda um tanto sem fôlego.
- Alô?
Alguém respirou fundo do outro lado da linha. Uma respiração pesada e dolorosa. Uma tosse veio em seguida e uma voz profunda atingiu Tomas como um murro.
- Avenida Melville, 345. Reunião de família, pequeno Tom. Como nos velhos tempos…
Tomas continuou parado por alguns segundos ouvindo o zumbido do telefone antes de ser desligado. Fechou o celular, retraiu a antena e colocou de volta no console do carro. Sabia agora, mais do que nunca que não tinha como fugir. Ligou o carro e partiu para o endereço indicado. Era a hora de acabar com tudo aquilo.
De uma vez por todas.
Em algum ponto do fim de semana, a parte 2.
Cheers!
T.
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Nossa, eu me lembro dessa. Saiu em uma Dragão antiiiggaaa…
Gosto muito desse conto ^^
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muito bom!
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