Dr. Careca Entrevista – Silvio Compagnoni Martins (Parte 2)
Yo!
Acordei hoje pela manhã e pensei: “por que diabos esperar até sábado, já que a entrevista com o Silvio tem sido tão bem recebida?”. Sendo assim, danem-se as regras: aqui vai a segunda e última parte da minha conversa com o último editor da lendária revista Dragão Brasil.
Trevisan - Como foi a recepção do público quando você assumiu a revista?
Silvio – Foi boa. Recebi votos de sucesso e minha comunicação com eles sempre foi boa. Pelo menos é o que senti. Me esforcei ao maximo para pautar esta comunicacao de forma clara e aberta seja no Orkut, MSN fone,mail, etc.
Trevisan - Alguns grupos do Orkut costumam ser bem hostis a qualquer tipo de iniciativa nacional, independentemente de quem seja o autor. Você chegou a sentir isso na pele?
Silvio - Engraçado que senti uma certa rejeição quando quis trazer coisas diferentes. Como o Cthulhu ou a Forja(sessão da revista sobre os bastidores do game design). Rejeição à alguma iniciativa nacional eu pouco senti na verdade. Acho que não cheguei a me manter à frente da revista o suficiente para chegara este ponto. Tinha ideia de montar algo com a revista, algo nacional. Mas o projeto nao foi adiante
Trevisan - E o que era esse projeto? Um novo cenário?
Silvio - Na verdade era uma vontade de organizar pequenos contos que formariam um cenário aberto, para se usar em qualquer sistema sem estar preso a regras ou convenções. Eu iria escrever e organizar os escritores e colaboradores para escreverem sobre um tema. Organizaria e tentaria fazer disso um cenario genérico, um suporte para mestres iniciantes. Outro projeto, este mais pessoal, seria escrever e desenvolver um cenario próprio. Mas optei por segurar esta idéia e reformulá-la para poder trabalhar nela com calma e fora da revista.
Trevisan - Há espaço para novos cenário, sistemas e autores no mercado brasileiro?
Silvio - Sempre! Só acho que sistema é uma coisa mais dificil, delicada. É muito melhor, mais rico, trabalhar em cenários. Tem tanto sistema por ai. Não vejo tanta necessidade de sistemas novos. Mas cenários, poxa temos o privilegio de ter tantas boas referências. Tanta gente com boas idéias. Por que não valorizar mais isso?
Trevisan - Você disse que a rejeição rola justamente quando se tenta fazer algo desse tipo. Por que ela acontece e o que se deve fazer pra evitar que isso ocorra? Existe uma receita?
Silvio - Graças a Deus, não existe receita, E é essa falta de uma fórmula que faz as coisas acontecerem, o sistema X ou cenário Y bombarem. Acho que o autor precisaapenas ser sincero no seu trabalho. Esso é o maior passo. O grande passo. O resto vem na onda.
Trevisan – O que você acha do movimento dos blogs, da produção de material de RPG descentralizada e ao mesmo tempo organizada em um esquema de cooperação entre os sites?
Silvio - Blog bom é aquele que serve para emitir opiniões. Fazer pensar, dicutir, refletir. Acho legal a produção descentralizada .É o máximo a fsacilidade que se tem para produzir na internet. Vim duma era de fanzine feito em mimeógrafo e xerox. Cara, era foda! Hoje com pdf, programas de edição etc, ficou fantástico. Torço pra que isso se prolifere como praga. É como disse antes, a internet está ai para isso, para dar este suporte e tudo mais. Para que a mesa de jogo se torne mais rica, mais divertida.
Trevisan - Falta uma exploração comercial efetiva desse espaço? É uma ferramenta pouco usada pelas editoras?
Silvio - As editoras estao começando a usar este espaço, Os profissionais do meio também estão aprendendo a usar. Tem um caminho ai a ser percorrido, com certeza. Mas ainda falta um suporte melhor para isso. Falta, por exemplo, gente que aposte e acredite em blogs e suporte a estrutura. Patrocinadores, sei lá…
Trevisan - Essa independência do leitor, a facilidade que o jogador tem de baixar material da Internet e divulgar suas próprias criações ajudou a acabar com a Dragão?
Silvio - De forma alguma. Não.
Trevisan - Isso é que resposta direta (risos).
Silvio - Mas é a real. Pelo menos UMA resposta curta (risos)
Trevisan - Mas faz sentido. Tanto que a DS continua por ai.
Silvio - Exato. Acho a pirataria uma coisa errada. Enfraquece sim as editoras e atrapalha a produção nacional. Seja de material próprio ou estrangeiro. A net corre por fora e tem seus méritos ao trazer notíciaa. A revista é um outro meio e também tem seu mérito. Por isso acho que nao é muito justo dizer que um atrapalha o outro.
Trevisan - Não digo nem a pirataria. Me refiro mais à criação e divulgação de material próprio.
Silvio – Ah, sim. Mas acho que isso nada tem a ver com a revista ir bem ou mal. São midias diferentes. Uma complementa a outra.
Trevisan - E por que ainda assim tivemos tão poucas revista que emplacaram no Brasil?
Silvio - Porque alvez seguissem um unico molde. Temos espaço para mais revistas? Acredito que sim. Digitais ou impressas. Temos público, temos profissionais capazes. Mas precisamos vislumbrar novas fórmulas, sair da receita de bolo. Talvez assim aparecam outras. Se ficarmos só nos moldes definidos pela DB, vai ser difícil emplacar. DB teve seu estilo, criado pelo Cassaro e o resto do Trio e esse formato evoluiu para o que hoje é a DS. Não creio que teriamos espaço para outra do mesmo tipo. Sendo assim,por que não inovar e montar algo diferente? ou focar em outro segmento? Existe espaço.
Trevisan - Mas o erro não foi justamente se afastar demais dos moldes da revista, de maneira muito brusca? Você tentou um processo gradual, se me lembro direito, mas a equipe anterior rompeu completamente…
Silvio - Pode ser que sim. Mas mesmo um processo gradual nao mostrou efeito, talvez por estarmos atrelados ainda ao nome da Dragão Brasil. Este foi o maior erro de todos, porque isso dificulta a mudança pois o público vai sempre associar o que vc faz ao nome. Se você muda tudo na Dragão Brasil, você tem uma revista diferente do que o público estava acostumado. Se você muda tudo, mas chama a revista de Red Dwarf, você tem só uma revista diferente. Entende a nuance?
Trevisan - Então ao invés de ajudar, o peso da marca atrapalhou?
Silvio - Em certo sentido, sim. A DB é uma marca forte. Cresceu, ganhou corpo e força com o tempo. Hoje está dormente e acho que só valeria a pena trazê-la de volta pelas mãos do editor original. Mas ele foi esperto e deu um passo a frente com a criação da DS. Hoje acho que a DB deve ficar no passado, como uma revista importante que teve seu momento.
Trevisan - E você? Pretende voltar a atuar na área ou já decidiu fazer coisa melhor da vida?
Silvio - Atualmente tenho um trabalho que está um pouco fora do meio e me toma muito tempo. Paga bem e é interessante, mas nunca me senti desligado do RPG e nem de seu nicho. Pretendo retornar sim. Esta entrevista marca de certa forma um retorno, mas quero fazer as coisas que me agradam. Quero poder ajudar o hobby e as pessoas que gostam dele, mas de uma forma diferente, independente e descontraída. Até porque, descobri que só vale a pena mesmo nestes termos. Se você se diverte com o que faz. Ainda penso muito em desenvolver um cenário e contar historias. Acho que é isso. Quero voltar a contar historias…
Trevisan - Valeu Silvio! Obrigado pela entrevista e boa sorte nos teus projetos.
Silvio - Eu é que agradeço a oportunidade! Abraços!
Lembrando que você pode acompanhar o trabalho do Silvio no seu blog, o Diário de um Roleplayer.
Cheers!
T.
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De longe da pra notar uma postura diferente do Silvio, uma postura de profissional… diferente do outro rapaz do “grandioso portal”.
E depois ainda tem gente que diz que é birra de vocês por outras pessoas tomarem a frente da antiga revista…
No mais, uma ótima entrevista, ajuda a esclarecer um pouco do que rolou no backstage editorial.
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Adorei a entrevista, as perguntas, as respostas, tudo.
Maaass confesso que aquelas últimas DBs não me agradaram nem um pouco. Principalmente a última, toda “dark”. O que ele falou é certo. Aquilo até poderia dar certo, mas se não carregasse a alcunha de “Dragão Brasil”. É mais ou menos como Final Fantasy Cristal Chronicles (?). Um bom jogo, mas que como game da franquia FF deixou muitos fãs desapontados.
Espero mais entrevistas, carequinha!
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Cassaro, Saladino e Trevisan. trio de “the king of fighters”,
com o Leonel como “ajuda”.
Cara… eu adorava o Senna, independente se ele tava na Mclaren ou na Williams. Eu era fan dele, da obra dele! O mesmo se aplica ao trio.
Eu não faço mto o estilo criatura da noite, por isso não curti a “nova” DB. Optima entrevista, estilo Atrás das Linhas Inimigas.
see you space cowboy
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Otima entrevista! Queria ter acompanhado mais o trabalho do Silvio,mas das 3 edições em que ele foi editor, apenas uma chegou aqui por essas bandas e foi apenas um exemplar. (Interior-Paraíba)
Comprei justamente a última delas, que teve a capa um Skorne de Reinos de Ferro.
Do conteúdo, aproveitei algumas coisas, mas como meu grupo está preso ao D&D não pude aproveitar mais a revista. Uma pena que tenha terminado assim.
Espero ver mais coisas do Silvio por aí, o cara fez um bom trabalho (com uma DB dele achei melhor do que todas as outras da Rede)
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Cara,
Gostei muito das palavras do Silvio. Sinceras e nenhum pouco hipócrita. Pena que o projeto da DB não deu certo com sua edição. Ah e Silvio, fica o convite pra conhecer a Beholder Cego (www.beholdercego.blogspot.com).
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“Cassaro, Saladino e Trevisan. trio de “the king of fighters”,
com o Leonel como “ajuda”.”
O Leonel deixou de ser só ajuda faz tempo!
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hahaha! Ajuda?! ppffff!!!
Verdade seja dita! Leonel é o Wolwerine/Vegetta do grupo!
Ficou alheio muito tempo, mas quando se integrou no grupo… ARREBENTOU!!
Caramba, esse de cima é o Cassaro mesmo?!
Bem vindo ao mundo virtual, Tio Palada!
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PS.: Sou seu fã!
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P.S.: Sou seu fã!
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eu tbm sou seu fãn! o.o
a intenção do post era isso mesmo Ruscel, falar que o Leonel era tipo um Power Ranger verde, ( como todos sabem, o tommy tem uma carreira brilhante, deixando de ser “ajuda” com o desenvolver do grupo.)
cara… o cassaro usou/criticou minha frase o.o
nunca mais lavo meu monitor.
(esse pada-wan pede desculpas se ficou parecendo que o Leonel era “só” ajuda )
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(eu tinha comentado na parte 1 por isso transferi pra cá)
haaaaaaaaaa, eu fico louco com essas entrevistas, nota mil!!!!
Cara, pra mim a DB conseguiu (entre muitas outras coisas) pegar o pessoal que ia pra banca ler mangá pro rpg, aumentou o público consumidor. Tanto que os mesmos consumidores compravam a hq também! Hoje ainda tem muita gente que vai até a banca buscar algo mas não conhece rpg, ainda não foi direcionado. E quem sabe até o pessoal da blogosfera pode dar uma escapada para o rpg de mesa?
O 3d&t na época serviu de transição a muitos leigos fã de anime para o cenário de rpg… Hoje quem vai a banca ou lê na net acaba achando que tormenta não é pra iniciantes. Um absurdo até 3d&t (ou 4d&t, sei lá…) assustar alguém, mas acontece…
Ainda vai ter na nossa geração uma nova forma de trazer gente nova. E pessoal, pelo amor de Deus, eu não acredito que eventos propagandas em revistas blogs, foruns que já tem a temática de rpg tragam gente nova, uai. Isso é pra quem já conhece poxa vida era por isso (dãaaa) que o fulano tava lá na feira, blog forum m de RPG!!!
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(continuando) “…o fulano tava lá na feira, blog forum de RPG!!!”
Vai acontecer (de novo) de um cara passeando nas ondas do google, ou pesquisando na banca ver algo muito interessante, tipo uma elfa peituda com tiras de couro, (ô saudade…) aí ele vai só depois ver o sub-título falando que é rpg, abre o link ou a revista para dar uma conferida, (um pouco receoso com esse negocio de rpg) e vai ver lá escrito em letras graudas: “você não sabe jogar rpg? gostaria de aprender de um jeito rápido fácil e muuuito divertido? Então entrou no lugar certo!!!”
Estou aguardando… até lá fico aqui criando meus propios sitemas cenários e ilustrações, (em breve na net hauhauhau) vendo as novidades que vão surgindo. Até mais!!!
P.S. desculpem a mega-postagem cheia de erros…
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Muito boa e esclarecedora a entrevista!
Depois que o trio saiu da DB eu parei de comprar a revista. Não porque o trio saiu. Mas porque a revista ficou uma droga mesmo…
Nos últimos números eu voltei a comprar porque notei algo diferente nela, e resolvi ver o que era. Quando vi os artigos da Forja e toda aquela história de teoria de design de RPG e estilos alternativos, pensei “WTF? Que que isso tá fazendo na DB?”
Hoje em dia percebo que esses sistemas “indie” eram tudo que eu já estava buscando na época, mas não sabia que existiam. Nunca tive paciência pra procurar RPG na internet.
Ou seja, acho que a ideia do SIlvio era boa mesmo. Mas como ele mesmo disse, o peso da marca atrapalhou demais. Bem, acho que a editora atrapalhou mais, porque eu teria continuado comprando, se continuassem publicando…
Agora essa história de que o público está estagnado… Eu atualmente nem procuro gente que jogue RPG e tropeço com RPGista em cada esquina… Ok, eles só compram os 3 livros básicos de D&D, não compram revista especializada e não fazem caravana para ir a encontros de RPG. Mas jogam nos finais de semana. Ah, e ao vivo, não é pela internet.
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